Investindo além do Tesouro Direto

Posted in Tutoriais on 31/12/2017 by Allan Taborda

No último post deste blog, falei sobre o Tesouro Direto, como investir no mesmo, os diferentes tipos de título e outras informações importantes. Mas há outras opções de investimento além do Tesouro Direto, algumas com rendimentos acima deste. Neste post, falarei sobre algumas dessas opções de investimento.

Observação: é recomendável ler o post anterior a este, onde eu falo sobre o Tesouro Direto, antes desse aqui, visto que algumas informações sobre o Tesouro Direto, como a tabela do imposto de renda e como abrir conta em uma corretora e transferir o dinheiro para a mesma, também valem para essas outras opções de investimento.

Há dois tipos de investimento: renda fixa e renda variável. Os investimentos de renda fixa são aqueles onde a fórmula de rendimento é predefinida, ainda que os ganhos variem em razão de um indicador variável, como a taxa Selic (nestes casos, diz-se que a rentabilidade é pós-fixada). O Tesouro Direto é considerado como investimento de renda fixa e seus títulos seguem fórmulas predefinidas de rendimento: o Tesouro Selic rende a taxa Selic, o Tesouro Prefixado rende um percentual prefixado e o Tesouro IPCA+ rende um percentual prefixado mais a inflação do período. Outros exemplos de investimentos de renda fixa são CDBs, LCIs, LCAs, LCs, debêntures, CRIs, CRAs, LFs, previdências privadas e a infame caderneta de poupança. Este post será focado em investimentos em renda fixa.

Já os investimentos de renda variável são aqueles onde não há uma fórmula de rendimento predefinida e os ganhos não podem ser dimensionados, podendo inclusive haver perdas de dinheiro. Muitos investimentos de renda variável podem ter natureza especulativa, isto é, se investe esperando que o ativo valorize, vendendo o mesmo na alta, correndo o risco do ativo se desvalorizar. O exemplo clássico de investimento em renda variável são as ações negociadas nas bolsas de valores. Além das ações, há também, dentre outros investimentos de renda variável, imóveis, ouro, moedas estrangeiras e criptomoedas, como o Bitcoin. Não falarei sobre investimentos em renda variável neste post, visto que o foco do mesmo é a renda fixa, que é mais segura para se investir, principalmente para iniciantes em investimentos.

Para alguns investimentos de renda fixa, como CDBs, LCIs, LCAs, LCs e poupanças, há a garantia do Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. Ou seja, em caso de quebra da instituição financeira responsável pelo título de investimento, o FGC paga o valor do mesmo, e este pagamento ocorre dentro de alguns meses (o período não é exato). O FGC garante investimentos de até 250 mil reais por CPF e por instituição financeira. Saldos de contas correntes também são cobertas pelo FGC, ainda que não sejam investimentos. O FGC não cobre investimentos em CRIs, CRAs, LFs, previdências privadas, debêntures e títulos públicos, incluindo os do Tesouro Direto (e os títulos públicos nem precisam de garantia do FGC, pois o governo já garante tais investimentos).

Alguns títulos de investimento de renda fixa são indexados por uma porcentagem do CDI (às vezes chamado de DI), que é uma taxa próxima à taxa Selic. A diferença entre a Selic e a CDI é que a Selic é a média ponderada da taxa de juros de todos os empréstimos interbancários com títulos públicos sendo dados como garantia, enquanto a CDI também, só que com outros títulos que não os títulos públicos sendo dados como garantia, geralmente títulos emitidos pelos próprios bancos. Outros usam outras fórmulas de rendimento (por exemplo, um percentual prefixado mais o índice IPCA, tal como o Tesouro IPCA+ do Tesouro Direto) ou são prefixados, com um percentual de rendimento predefinido.

Sobre a incidência de imposto de renda, alguns investimentos de renda fixa, como poupanças, LCIs, LCAs e debêntures incentivadas, são isentas de tributação, já outros investimentos, como CDBs, LCs, LFs e debêntures não incentivadas, há a incidência de imposto de renda seguindo a mesma tabela regressiva que eu citei no post anterior, sobre o tesouro direto. Planos de previdência privada possuem esquema de tributação diferente: os com tributação regressiva seguem uma tabela própria, variando de 35% até 10% dependendo do tempo investido, já os com tributação progressiva, a tributação é a mesma do imposto de renda retido na fonte.

Diferentemente do post anterior, eu não irei colocar vídeos explicando cada uma das modalidades de investimento, mas em canais do Youtube como o EconoMirna, o canal da corretora Rico e outros canais de educação financeira existentes, há vídeos explicando, com detalhes, tais opções de renda fixa. Neste caso, eu sugiro que pesquisem, pela busca do Youtube, pelas siglas e nomes dos investimentos que eu citei, e então aparecerão vídeos falando dos mesmos.

Todavia, eu irei resumir o funcionamento de algumas das principais modalidades de investimento de renda fixa (com exceção do Tesouro Direto, no qual eu falei sobre o mesmo no post anterior), em especial os CDBs, as LCs, as LCIs e as LCAs, onde pode-se investir através de corretoras, como a Rico, a XP Investimentos, a Clear Corretora ou a Easynvest.

Os certificados de depósito bancário (CDB) são empréstimos que o investidor faz ao banco (e o banco usa esse dinheiro para emprestar a pessoas físicas ou jurídicas, cobrando maiores que eles pagam aos investidores dos CDBs). Possuem uma data de vencimento na qual o dinheiro investido mais os juros (descontando o imposto de renda) são devolvidos ao investidor.

A maioria é indexada a uma porcentagem do CDI, e é recomendável que se faça investimentos somente em CDBs com juros de, pelo menos, 99% do CDI, ou a aplicação será menos rentável que o Tesouro Selic. Há CDBs, sobretudo os de bancos médios e pequenos, com juros superiores a 120% do CDI. Retornos maiores em CDBs se dão devido a um maior risco do banco quebrar (e para atrair investidores, eles remuneram mais). Como CDBs são cobertos pelo FGC, o investidor não perde dinheiro em caso de quebra do banco, fora que não é todo dia que um banco quebra, e um banco oferecendo CDB com 123% do CDI não significa que ele esteja para falir em um período de dois anos.

Alguns CDBs possuem liquidez diária, ou seja, podem ser sacados em qualquer tempo. Este podem ser usados como reserva de emergência tal qual o Tesouro Selic. Apesar disso, raramente tais CDBs remuneram mais do que 100% do CDI, fora que, sendo uma reserva de emergência, no caso da quebra do banco, o dinheiro só voltará a estar disponível após o pagamento do mesmo pelo FGC, que não é imediato e pode demorar meses, portanto, não recomendo tais CDBs, sendo preferível usar o Tesouro Selic como reserva de emergência.

As letras de câmbio (LCs) são semelhantes aos CDBs (para o investidor, acabam sendo praticamente a mesma coisa que os CDBs), a diferença é que na LC, o dinheiro é emprestado a uma financeira, enquanto no CDB, o dinheiro é emprestado a um banco.

As letras de crédito imobiliário (LCI), tal qual os CDBs, são empréstimos que o investidor faz ao banco, a diferença em relação aos CDBs é que o dinheiro investido é usado em financiamentos imobiliários, sendo pago às construtoras ou aos donos de imóveis, com o imóvel em questão sendo dado como garantia ao banco caso o financiamento não seja pago. A diferença para o investidor é que as LCIs são isentas de imposto de renda. Uma boa LCI é aquela que paga, pelo menos, 85% do CDI, menos que isso, a LCI renderá menos que o Tesouro Selic.

As letras de crédito do agronegócio (LCA) são quase a mesma coisa que as LCIs, a única diferença é que, em vez de financiar empreendimentos imobiliários, o dinheiro é usado em financiamentos de empreendimentos de agronegócio.

Não é recomendado fazer esses quatro tipos de investimento em bancos grandes, como o Itaú, a Caixa Econômica, o Bradesco ou o Banco do Brasil, visto que a rentabilidade oferecida é pequena. Há CDBs que chegam a render menos do que a poupança, como um que eu vi que rendiam ridículos 45% do CDI. A recomendação é que se possua uma conta em uma corretora, que, como eu escrevi no post anterior, funciona como plataformas com diversas opções de investimentos, servindo de intermediária para o investimento em CDBs, LCs, LCIs e LCAs de diversas instituições financeiras. Mas também é possível abrir contas de investimentos em bancos pequenos e médios que oferecem essas modalidades de investimento, como o Daycoval, o BTG Pactual e o Sofisa Direto.

Também não é recomendável manter quantidades maiores do que mil reais na poupança, visto que é a mesma um investimento com rentabilidade baixa, equivalendo a 70% da taxa Selic. Entretanto, a poupança ainda pode ser usada para armazenar uma pequena parte da sua reserva de emergência no valor de até mil reais (o que exceder este valor deve ficar guardado preferencialmente no Tesouro Direto, em títulos do Tesouro Selic), permitindo que esta quantia seja sacada rapidamente para o caso de pequenos imprevistos.

A poupança também pode ser usada como um local temporário para se acumular dinheiro, por um período de até seis meses, até que se atinja um valor mínimo a ser investido em um CDB ou outra aplicação financeira (CDBs, bem com LCs, LCIs e LCAs, possuem um valor mínimo para se investir, podendo ser mil reais, três mil reais, cinco mil reais, dez mil reais ou qualquer outro valor, até mesmo valores bem acima de dez mil reais). Para acúmulos de dinheiro por períodos maiores que seis meses, o Tesouro Selic é o mais indicado.

Sobre fundos de investimento, os mesmos consistem em, basicamente, pagar alguém para administrar um montante de dinheiro a ser investindo em outras aplicações. Eu não recomendo tais fundos, fora que, nos mesmos, há taxas de manutenção que consomem parte dos rendimentos. É preferível você mesmo administrar seus investimentos.

Sobre previdências privadas, o economista Samy Dana, em suas aparições em sua coluna no site de notícias G1, bem como em telejornais da Rede Globo, como o SPTV Primeira Edição, diz que as mesmas só são um bom negócio se não tiverem taxa de carregamento nem taxa de saída, e além disso, a taxa de manutenção não deve exceder 0,7% do valor investido. Como previdências privadas possuem muitos detalhes a ser prestar atenção e são demasiadamente complexas (se eu fizesse um post sobre elas aqui no blog, acho que daria um post duas vezes maior do que o sobre o Tesouro Direto), não sou fã das mesmas, e recomendo o uso do Tesouro IPCA+ para se guardar dinheiro para uma aposentadoria, bem como outros investimentos, como os citados neste post. O Tesouro IPCA+ é bem fácil, é só comprar os títulos.

Enfim, o básico sobre renda fixa além do Tesouro Direto é isso. Claro que eu poderia me aprofundar no tema e explicar outras modalidades de investimento, como as LFs (letras financeiras, semelhantes aos CDBs, mas sem cobertura pelo FGC e que só permite investimento com um montante de, pelo menos 150 mil reais, e que eu nunca vi constarem no rol de opções de investimento da corretora Rico) ou as debêntures (títulos emitidos por empresas e outras instituições, sem cobertura pelo FGC, com incidência de imposto de renda, exceto para as debêntures incentivadas, que fomentam investimentos em infraestrutura), mas o post poderia ficar muito grande e iria além do básico, que é o objetivo deste post. Caso tenha ficado alguma dúvida, deixe um comentário.

Ano que vem tem mais posts neste blog, e o próximo post será sobre criptomoedas como o Bitcoin (spoiler: tome cuidado), bem como outros investimentos em renda variável. Até o próximo post e feliz ano novo!

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Investindo no Tesouro Direto

Posted in Tutoriais on 26/11/2017 by Allan Taborda

Muita gente costuma juntar dinheiro para uma finalidade específica, como comprar um imóvel ou um carro, cursar uma faculdade (ou pagar a de algum filho que futuramente venha a cursar alguma) ou mesmo para garantir uma aposentadoria confortável sem depender do governo (ou complementar a que futuramente possa receber). Entretanto, dessa gente, muitos não sabem qual a melhor forma de fazer suas economias e acabam por guardar o dinheiro na poupança ou, no caso das economias serem para uma futura aposentadoria, em planos de aposentadoria privada com taxas de carregamento, saque e manutenção sinistras, corroendo parte de tais economias. Mas há uma forma segura e de melhor rentabilidade do que a poupança e tais aposentadorias privadas, que é o Tesouro Direto.

Investir no Tesouro Direto significa emprestar dinheiro ao governo com juros determinados no momento do empréstimo pelo mesmo, com tais empréstimos sendo representados por títulos da dívida pública. O pagamento de tais títulos é sempre honrado pelo Tesouro Nacional, e o não pagamento dos mesmos acarretaria em um pandemônio econômico, com muitos bancos quebrando (visto que boa parte dos ativos dos mesmos está investida em títulos do Tesouro Nacional) e desemprego disparando a níveis nunca antes vistos, além do país falindo, em uma situação econômica muito pior do que qualquer época que o país tenha vivido, pior até do que a atual situação econômica da Venezuela. Ou seja, o Tesouro Direto é um investimento muito seguro, mais até do que as cadernetas de poupança e outras aplicações financeiras.

Para investir no Tesouro Direto, é necessário ter uma conta em um agente de custódia, que nada mais é do que um banco ou uma corretora habilitados para operar na plataforma do Tesouro Direto, que é provida pela B3, antiga BM&FBovespa, que é a bolsa de valores, mercadorias e futuros de São Paulo, que possui parceria com o Tesouro Nacional. Alguns bancos que são agentes de custódia são o Itaú, a Caixa Econômica Federal, o Banco Inter e o BTG Pactual. Dentre as corretoras que permitem aplicações no Tesouro Direto, temos, dentre outras, a Rico, a XP Investimentos, a Clear Corretora e a Easynvest. A lista completa de instituições financeiras (bancos e corretoras) que permitem fazer investimentos no Tesouro Direto pode ser acessada pelo link abaixo:

http://www.tesouro.gov.br/web/stn/tesouro-direto-instituicoes-financeiras-habilitadas

A diferença entre bancos e corretoras seria basicamente os serviços oferecidos pelas instituições, com bancos geralmente tendo serviços como conta corrente, empréstimos, cartão de crédito, CDBs, LCIs e LCAs do próprio banco e outros, e corretoras funcionando como plataformas com diversas opções de investimentos, inclusive servindo de intermediárias para o investimento em CDBs, LCIs e LCAs de diversos bancos, alguns deles pouco conhecidos.

Alguns bancos e corretoras cobram taxas, geralmente ao ano, pelos investimentos feitos no Tesouro Direto, mas a maioria não cobra qualquer taxa. Em relação às instituições financeiras citadas, o Itaú e a Caixa Econômica Federal cobram taxas pelos investimentos, e é necessário uma conta corrente de pessoa física nessas instituições para investir no Tesouro (conta poupança e conta corrente de pessoa jurídica não servem), por isso, eu não recomendo investir a partir desses bancos. Independente do banco ou da corretora, a B3 cobra uma taxa de 0,3% ao ano sobre o valor investido, cobrada em janeiro, julho ou quando o título é resgatado, o que ocorrer primeiro, e a taxa é cobrada pelo tempo proporcional que o dinheiro ficou investido. A taxa é debitada automaticamente do saldo da conta do banco ou da corretora. Se o valor de taxa da B3 devido for inferior a 10 reais, o valor será cobrado no semestre seguinte.

Além da taxa da B3 e da cobrada pelo banco ou pela corretora (caso tenha optado por uma instituição que cobre taxa), há ainda a incidência do imposto de renda sobre a rentabilidade dos títulos, mas tal imposto só é cobrado no resgate dos títulos e possui uma alíquota decrescente, e mesmo com este imposto, os títulos do Tesouro Direto rendem mais que a Poupança, mesmo considerando a alíquota maior. Se o título é resgatado em até 180 dias após o investimento, a alíquota é de 22,5%. De 181 a 360 dias de investimento, a alíquota é de 20%. Se os títulos ficarem investidos de 361 a 720 dias, a alíquota é de 17,5%. Acima de 720 dias, a alíquota é de 15%. Exemplo: se eu investi 600 reais em títulos e os mesmos foram resgatados quando valiam 1000 reais, e já tendo decorrido mais de dois anos do investimento, eu recebo 940 reais pelos mesmos, visto que o imposto de renda sobre os 400 reais que os títulos renderam é de 15% desse valor, ou seja, 60 reais.

Se o tempo de investimento for inferior a 30 dias, há ainda a incidência de outro imposto, o IOF, também com uma alíquota decrescente sobre a rentabilidade de acordo com o tempo do resgate, que eu não irei detalhar aqui por não valer a pena. Ela existe somente para desencorajar as pessoas de resgatem muito cedo os títulos. Devido a este imposto, recomendo que não resgate títulos antes de 30 dias.

Duas instituições financeiras que eu recomendo para investir no Tesouro Direto são o Banco Inter (antigamente chamado de Intermedium, e em alguns lugares, ainda aparece esse nome) e a corretora Rico, que permite também outros tipos de investimentos, como em CDBs com rentabilidades atrativas (farei um post dedicado a CDBs, LCIs e LCAs futuramente aqui no blog) e ações de empresas negociadas na B3.

O Banco Inter é um banco que, diferente do Itaú, do Bradesco, da Caixa Econômica Federal e de outros bancos tradicionais, trabalha somente com contas digitais e não possui agências bancárias nem caixas eletrônicos próprios (com exceção de um em Belo Horizonte). Permite fazer saques em caixas eletrônicos da rede Banco 24 Horas e transferências via TED para contas de outros bancos sem custo (desde que as contas sejam da mesma titularidade), além de permitir a transferência gratuita de dinheiro para a conta por meio de boletos bancários, fazendo com que o dinheiro de uma conta da Caixa Econômica Federal, por exemplo, seja transferido para a conta do Banco Inter sem precisar pagar a tarifa do DOC ou TED.

Este vídeo do canal EconoMirna fala sobre a conta digital do Banco Inter, bem como ensina a abrir uma conta no mesmo. Como o vídeo é um pouco antigo, o vídeo se refere ao banco como Intermedium, pois o nome do banco ainda não havia mudado.

Eu faço meus investimentos no Tesouro Direto pela corretora Rico, que, por ser uma corretora, permite outros tipos de investimento (apesar de que, por enquanto, eu só utilizo a conta na Rico para investir no Tesouro Direto). Uma conta na corretora é, basicamente, uma conta corrente sem taxas, mas que não tem cartão, não dá para pagar contas nem nada que seja serviço bancário, apenas depositar dinheiro por meio de TEDs de contas correntes de outros bancos (desde que sejam da mesma titularidade), investir o dinheiro que está no saldo da conta (e debitar possíveis taxas dos investimentos, como a da B3 que eu citei acima) e transferir o saldo para uma conta corrente previamente cadastrada.

Eu tenho uma conta digital no Itaú, denominada iConta, que permite fazer TEDs sem custo para a minha conta na corretora Rico. Infelizmente, a iConta não está mais disponível para novos correntistas (ou para aqueles que já são correntistas e desejam mudar de modalidade de conta), restando nesse banco apenas modalidades de conta cujo TED é tarifado. Como a maioria dos bancos não oferece nenhuma modalidade de conta com TEDs gratuitos (ou, às vezes, com um limitado número de TEDs), caso deseje ter uma conta na corretora Rico e ficar livre de tarifas de TED, você pode abrir uma conta no Banco Inter (ou outro banco com conta digital, o Banco Inter não é o único que existe) e então fazer TEDs por meio dessa conta.

Para abrir uma conta na Rico, você pode baixar o aplicativo para celular da corretora ou acessar o endereço abaixo, clicando no botão “Cadastre-se” no canto superior direito do site. Você precisará de fotos do RG e de um comprovante de residência recente, preferencialmente em seu nome (pode ser no nome do seu pai ou da sua mãe também).

https://www.rico.com.vc

A Rico permite o investimento e o resgate de títulos por meio do próprio site, mas nem todos os agentes de custódia permitem movimentação pelos seus sites, somente os que são agentes integrados. Mas é possível, investir e resgatar títulos, independente da corretora ou banco, por meio do site do Tesouro Direto, que pode ser acessado pelo link abaixo.

https://tesourodireto.bmfbovespa.com.br/PortalInvestidor/login.aspx

O Banco Inter não é um agente integrado, pelo que consta na lista de instituições financeiras habilitadas para operar no Tesouro Direto, mas o investimento por este banco não é muito difícil. Este vídeo do canal Saia do Buraco com o Titio Marcius ensina como investir no Tesouro Direto pelo Banco Inter.

Cada título possui um valor de compra e um valor de venda (que é ligeiramente menor que o valor de compra), mas para comprar (investir) ou vender (resgatar) títulos, não é necessário comprar ou vender os mesmos inteiros. É possível comprar (e vender) frações do mesmo, e cada fração equivale a 1% do título, ou 0,01 título. Para vender, não há limitação de valor, mas para comprar, o valor da compra deve ser de, no mínimo, 30 reais, e além disso, não é possível comprar mais de um milhão de reais em títulos em um mesmo mês.

Depois da solicitação de compra de títulos, há um período de dois dias úteis para os mesmos constarem na carteira de títulos do investidor. Algumas instituições, como o Banco Inter, só debitam o valor da compra após esses dois dias úteis, já outras debitam o valor imediatamente, como a corretora Rico.

Os títulos possuem também uma data de vencimento. Em tal data, os títulos são resgatados automaticamente. Todavia, é possível o resgate antecipado dos títulos, bastando o investidor resgatar os mesmos de forma manual no site do Tesouro Direto ou no site do agente de custódia, caso o mesmo seja um agente integrado. O valor dos títulos é creditado na conta do agente de custódia em, no máximo, um dia útil.

Há três tipos de títulos ofertados pelo Tesouro Direto. Um é o Tesouro Selic, que possui sua rentabilidade atrelada à taxa Selic (também chamada de Selic Over), que é a média ponderada da taxa de juros de todos os empréstimos interbancários com títulos públicos sendo dados como garantia, e essa taxa fica próxima da taxa básica de juros da economia (também chamada de Selic Meta), definida em reuniões do Comitê de Política Monetária, o COPOM. No momento em que eu escrevo esse texto, a Selic Meta é de 7,5% ao ano, mas a mesma varia de tempos em tempos de acordo com a situação econômica do país.

Há também o Tesouro Prefixado, que possui sua rentabilidade fixa no momento do investimento, caso deixe o título investido até o vencimento do mesmo (a rentabilidade não é garantida antes disso), e o Tesouro IPCA+, que possui sua rentabilidade atrelada ao IPCA, que é o índice oficial da inflação, mais um percentual prefixado, ou seja, é uma espécie de Tesouro Prefixado cuja taxa de rentabilidade incide não sobre o valor numérico investido, mas sobre o poder de compra do mesmo.

O Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+ possuem uma variante com juros semestrais, que adiantam o ganho com juros de seis em seis meses. Não recomendo investir nesses títulos com juros semestrais, visto que a alíquota do imposto de renda será sempre maior (vide a tabela regressiva que eu citei anteriormente), além dos juros não acumularem no total investido, o que renderia uma quantidade ainda maior de juros.

No link abaixo, é possível ver todos os títulos ofertados pelo Tesouro Direto, bem como seus valores de compra e venda:

http://www.tesouro.gov.br/web/stn/tesouro-direto-precos-e-taxas-dos-titulos

Na playlist de vídeos abaixo, do canal EconoMirna, há vídeos falando sobre cada um dos títulos do Tesouro Direto, bem como um tutorial de como investir e resgatar títulos pela corretora Rico, além de outras informações. No primeiro vídeo da playlist, é informado que a Rico cobraria uma taxa de 0,1%, todavia, o vídeo em questão é antigo e a Rico, que antigamente cobrava, não cobra mais nenhuma taxa para se investir no Tesouro Direto.

https://www.youtube.com/playlist?list=PLlX5xeBziJ1WHe43CpWmnrE9_YXrxAxgE

Dando uma resumida acerca dos títulos, o Tesouro Selic é o título que sempre se valoriza, nunca tendo oscilações negativas em seu valor, ao contrário do que ocorre com os demais títulos. Sua data de vencimento acaba sendo, na prática, um prazo máximo de quanto tempo o valor pode ficar investido sem recolher o imposto de renda. É indicado para reservas de emergência ou qualquer outra reserva que o investidor deseje que o investimento esteja disponível para resgate a qualquer momento. Recomendo para qualquer investidor que sempre tenha uma reserva em Tesouro Selic de, pelo menos, 6 a 12 vezes a soma de seus gastos mensais, não investindo em outros títulos até que se obtenha tal valor de reserva. Também é indicado para caso o investidor fique indeciso em relação a qual dos três tipos de título ele deveria investir, pelo fato do Tesouro Selic ser o mais conservador de todos.

Já o Tesouro IPCA+ é o ideal para se juntar dinheiro para uma aposentadoria, visto que garante o aumento do poder de compra do dinheiro ali investido, além de ter opções de datas de vencimento mais longas. No momento que eu escrevo, há opções de datas de vencimento para os anos 2024 (médio prazo), 2035 e 2045 (ambos de longo prazo). O Tesouro IPCA+ também é indicado para quem simplesmente deseja proteger o dinheiro contra a inflação.

O Tesouro Selic também meio que protege da inflação, visto que a taxa Selic costuma ser maior que o índice IPCA, que é a inflação, e se a mesma sobe, a taxa Selic tende a também subir. Ainda assim, não há uma garantia de que a taxa Selic seja sempre maior que o índice IPCA, além do fato de existir a possibilidade da diferença entre a Selic e o IPCA ser inferior ao índice prefixado do Tesouro IPCA+.

E o Tesouro Prefixado é ideal para quem deseja fazer investimentos de médio prazo (ainda que os outros títulos também sejam boas opções nesse caso), visto que, historicamente, este título tem rendido mais que o Tesouro Selic. Entretanto, há situações em que o Tesouro Selic pode render mais que o Tesouro Prefixado, como em casos que a taxa Selic possui tendência de alta, podendo ficar maior que o índice prefixado de aplicações anteriormente feitas.

O Tesouro Prefixado possui sempre um percentual fixo maior do que o do Tesouro IPCA+ ofertado na mesma data, mas não possui correção da inflação, podendo inclusive o dinheiro investido nesse título perder poder de compra caso a inflação seja muito elevada. Deve-se sempre analisar a situação econômica do país (índice IPCA e expectativa de crescimento ou redução da taxa Selic, principalmente) a fim de decidir se é vantajoso investir no Tesouro Prefixado. No momento em que eu escrevo, e considerando meu parecer pessoal acerca da situação econômica, me parece vantajoso investir nesse título, considerando o com data de vencimento em 1 de janeiro de 2023, mas somente se desejar manter o dinheiro investido até essa data.

Tanto o Tesouro Prefixado quanto o Tesouro IPCA+ não possuem valorização constante (exceto, no caso do Tesouro IPCA+, do valor creditado referente à correção da inflação), como é o caso do Tesouro Selic. Isto se deve a oscilações dos percentuais fixos de rentabilidade para a compra e venda de títulos no momento atual, e tais oscilações ocorrem devido a fatores de mercado, incluindo a situação econômica do país e oferta e demanda dos títulos. Tais oscilações podem fazer com que um título comprado em uma data tenha uma rentabilidade negativa em uma data posterior (mas a rentabilidade é garantida na data do vencimento do título). Por isso, ainda que o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+ possam ser resgatados antes do vencimento, não é recomendado usá-los como reserva de emergência.

O Tesouro Prefixado cujos rendimentos são resgatados no vencimento (ou seja, sem juros semestrais) funciona com a seguinte lógica (a versão com juros semestrais possui lógica diferente): no vencimento, cada título vale 1000 reais e cada fração de 1% do título vale 10 reais (isso sem descontar o imposto de renda). Quando é ofertado, cada título possui um valor que, aplicando um percentual de juros até a data de vencimento, faz o mesmo render até o valor total (valor investido mais juros) somar 1000 reais por título. Se, de um dia para o outro (ou ainda no mesmo dia, em horários diferentes), a taxa de juros ofertada sobe, o valor do título ofertado cai e, consequentemente, o valor de venda do titulo também cai na mesma proporção. Se a taxa de juros cai, ocorre o inverso. Os demais títulos, exceto o Tesouro Selic, seguem lógicas semelhantes.

Para encerrar o post, seguem mais algumas informações. O horário em que os títulos do Tesouro Direto podem ser comprados é de segunda a sexta, das 9:30 às 18:00, exceto feriados vigentes na cidade de São Paulo (incluindo o dia da Consciência Negra), todavia, nos demais horários, exceto das 5:00 às 9:00, que é quando o sistema fica em manutenção, é possível agendar a compra de títulos, neste caso, os mesmos serão comprados pelo valor de abertura de mercado do dia útil seguinte, que pode ser ligeiramente diferente dos valores de referência apresentados no momento do agendamento.

Antigamente, os títulos do Tesouro Direto possuíam outros nomes, como LFT para o Tesouro Selic e LTN para o Tesouro Prefixado. E até 2006, era ofertado o Tesouro IGPM+, chamado de na época de NTN-C, que era como o Tesouro IPCA+, mas com o índice IGP-M em vez do IPCA.

Além do Tesouro Direto, que só está disponível para pessoas físicas investirem e não permite a revenda de títulos de uma pessoa física para outra, há ainda os títulos públicos ofertados em leilões do Tesouro Nacional, que podem ser adquiridos por empresas e revendidos para terceiros. Este site fala um pouco sobre os tais títulos públicos:

https://www.genialinvestimentos.com.br/artigo/titulo-publico-fora-do-tesouro-direto-pode-ser

Independente dos títulos serem do Tesouro Direto ou dos leilões de títulos, todos os mesmos são armazenados em meio eletrônico, não havendo títulos impressos em papel nos dias de hoje, como havia até 1970, ano em que foram emitidos os últimos títulos nessa modalidade. Tais títulos tinham vencimento de, no máximo, um ano e, após cinco anos do vencimento do título, o mesmo prescrevia. Nos dias de hoje, há golpistas ofertando supostos títulos públicos daquela época que teriam sido repactuados (isto é, convertidos em títulos com vencimento mais recente) ou revalidados, muitas vezes com valores astronômicos, inclusive com supostos peritos atestando uma suposta autenticidade dos mesmos, com códigos ISIN (títulos da dívida pública não são passíveis de serem identificados com códigos ISIN, apenas ações e outros ativos do tipo) e outras estratégias para fazer o suposto título parecer um título verdadeiro. Acontece que esses papéis todos não possuem nenhum valor, e a grande maioria nem mesmo foi emitida pelo Tesouro Nacional (ou seja, a maioria é falsa). E teve até um pai e filho empresários que acabaram presos tentando resgatar um suposto título público em papel da década de 1970, comprado não sei de quem (um golpista), que supostamente valia não sei quantos bilhões de reais (não escrevi errado, é bilhões mesmo, com B de bosta), a notícia da prisão dos dois saiu em não sei que site de notícias (estou com preguiça de procurar a notícia e colocar o link aqui no post). Ou seja, não comprem tais títulos em papel, são todos sem valor, ainda que os golpistas digam argumentos supostamente convincentes, como a de que dívida pública supostamente não prescreveria. Título público que vale alguma coisa é só no Tesouro Direto e no mercado secundário, ou diretamente nos leilões do Tesouro Nacional, e tudo por meio eletrônico, sem impressão em papel.

No próximo post, que será postado ainda esse ano, falarei de outras opções de investimento em renda fixa, algumas com rentabilidade acima de alguns títulos do Tesouro Direto, como CDBs, LCIs e LCAs. E, em caso de dúvidas acerca deste post, deixe um comentário.

O homem veio do macaco?

Posted in História on 08/03/2015 by Allan Taborda

Muitas pessoas leigas na teoria da evolução acreditam que a ciência diz que o homem evoluiu do macaco (sem especificar qual, alguns consideram que evoluiu do chimpanzé) e alguns criacionistas usam essa tese a fim de desacreditar a teoria da evolução, pois o homem é consideravelmente diferente do macaco, além do fato de ainda existirem macacos (como se a evolução de um animal a partir de outro incorresse obrigatoriamente na extinção do animal original ou que a evolução gerasse apenas uma linhagem de espécies descendentes). O fato é que essa ideia está totalmente incorreta e o homem não descende de nenhum primata dos dias de hoje, ainda que tenha algum parentesco com os mesmos (e tem parentescos com todos os mamíferos, animais e outros seres vivos, inclusive com o mato que cresce no terreno baldio da esquina, se for olhar de outro ângulo).

Hoje, sabe-se que o ser humano moderno (Homo sapiens) evoluiu a partir de outras espécies de homem, como o Homo erectus e o Homo habilis, que por sua vez evoluíram a partir de outros hominídeos, como os Australopithecus (desses, além dos hominídeos do gênero Homo, originaram também os hominídeos do gênero Paranthropus, muito provavelmente sem descendência com o homem), que por sua vez acredita-se que tenha evoluído a partir dos Ardipithecus, que era descendente de espécies como Orrorin tugenensis e Sahelanthropus tchadensis (possivelmente o último ancestral comum entre homens e chimpanzés), que eram descendentes de outras espécies de macacos primitivos, como o Proconsul africanus (ancestral tanto de humanos e chimpanzés como também dos grandes macacos, como gorilas), que descenderam de macacos ainda mais primitivos, como o Teilhardina asiatica, que descenderam de mamíferos arborícolas como o Carpolestes simpsoni (semelhante a um macaco, mas também com semelhança com os ratos), que descendem dos Eutheria, como o Eomaia scansoria (semelhante a um rato, é um dos primeiros mamíferos placentários, com placenta primitiva), de descendem dos primeiros mamíferos, que descendem dos terapsídeos (classe de vertebrados já extinta, considerada o elo entre os mamíferos e os répteis), que evoluíram de répteis menores (dos quais possivelmente evoluíram os dinossauros), que evoluíram de anfíbios (os primeiros a possuir membros), que evoluíram de peixes vertebrados com mandíbula, que evoluíram de peixes sem mandíbula, extremamente primitivos, que evoluíram das pikaias, que são considerados os mais antigos vertebrados, que descendem de animais semelhantes a vermes, que descendem dos primeiros animais (que habitavam o ambiente marinho), que descendem dos cianoflagelados (do reino protista, portanto, unicelular) que descendem de outros eucariontes (de núcleo celular com membrana), que descendem dos procariontes (sem membrana delimitando o material genético), que descendem das formas de vida mais antigas existentes, possivelmente derivadas de moléculas de RNA reprodutoras.

Acredito eu que, no futuro, o Homo sapiens evolua para uma ou mais subespécies, talvez culminando com uma espécie diferente depois de milhões de anos. Como o Homo sapiens habita o mundo inteiro, acredito que passe a existir apenas uma linhagem de espécies futuras de homem. Na verdade, a evolução já está ocorrendo dentro da espécie Homo sapiens, com pequenas mudanças graduais ao longo dos séculos. Já foram detectados genes que tiveram origem há apenas cinco mil anos, e além disso, a altura média de alguns povos aumentou alguns centímetros em média em relação à altura média desses mesmos povos há um século, além de terem ocorrido outras mudanças significativas, como o sono segmentado dos homens da idade média ter sido alterado para um sono contínuo de oito horas nos dias de hoje e a idade média da primeira menstruação das mulheres ter mudado de 17 para 12 anos em questão de séculos.

Ainda sobre a questão do homem ter parentesco até com o mato que cresce no terreno baldio da esquina, ainda que isso soe estranho, isso é verdade. O parentesco entre duas espécies pode ser verificado pelo número de semelhanças entre duas espécies, ainda que uma não tenha descendido da outra. O cachorro, por exemplo, possui uma mandíbula com dentes, cérebro, orelhas, caixa toráxica com costelas, um coração, um pulmão e outros órgãos, quatro membros com dedos, um sistema reprodutor semelhante, um pênis (ou vagina) e um ânus, além de outras partes do corpo, assim como nós humanos também temos, e outros animais também têm essas mesmas partes em seus corpos.

Algumas partes do corpo possuem diferenças entre os animais devido à evolução dos mesmos e de seus ancestrais ter caminhado em outra direção (por exemplo, a mandíbula e os membros dos cachorros em comparação com os humanos), mas ainda assim tais partes tiveram uma mesma origem em comum.

Em parentes um pouco mais próximos com os humanos, como os chimpanzés, tais partes do corpo são mais parecidas. Outros parentes mais distantes também guardam semelhanças com os humanos, ainda que as semelhanças sejam menores. Os jacarés, por exemplo, possuem boca com mandíbula, cérebro, olhos, sistema digestivo e ânus, assim como os humanos. O tubarão também tem olhos e mandíbula.

Mas e o mato que cresce no terreno baldio da esquina, qual seria a semelhança com os humanos? Tanto os humanos quanto o mato possuem células com material genético dentro de um núcleo definido por uma membrana, além de organelas citoplasmáticas encontradas nas células de ambas as espécies, como o complexo golgiense. É um parentesco bem distante entre as duas espécies (plantas evoluíram a partir de protistas com cloroplastos em suas células, enquanto os animais evoluíram de protistas cianoflagelados, e ambos os tipos de protistas descenderam de um mesmo protista) e as células de ambas as espécies possuem bastante diferenças devido à evolução paralela das espécies, como cloroplastos apenas nas células vegetais e citoesqueleto apenas nas células animais.

Respondendo a pergunta do título da postagem: não, o homem não veio do macaco, ele veio de outro homem mais primitivo, que possui um ancestral comum com os macacos de hoje em dia (se esse ancestral também pode ser considerado como um macaco é uma outra questão, e mesmo que seja, ele não originou diretamente o Homo sapiens, que é a nossa espécie. E se for considerar que o homem veio indiretamente do macaco, considerando que o ancestral comum entre o homem e o chimpanzé é um macaco, também deve-se considerar que o homem veio do mamífero arborícola parecido com um rato, que veio dos terapsídeos, que veio dos peixes, que veio dos protistas…

Ultimamente, tenho me interessado bastante acerca da evolução das espécies, principalmente a da nossa espécie, bem como sua origem.

Observação: caso acredite que eu tenha cometido algum equívoco em algum ponto desse texto, deixe um comentário relatando o equívoco.

Pequenas receitas culinárias

Posted in Tutoriais on 30/05/2014 by Allan Taborda

Mousse de algum sabor qualquer:

– 395g de leite condensado, de preferência, aqueles de caixinha;
– 400g de creme de leite, de preferência, aqueles de caixinha, com duas caixinhas de 200g cada;
– 1 pacote de suco em pó, preferencialmente da marca Nutrinho (pode ser misturado também ao leite, por isso usei essa marca, não sei se funciona com suco em pó de outra marca) de algum sabor qualquer;
– 2 pacotes de gelatina em pó incolor e sem sabor, ou uma quantidade que seja suficiente para 1 litro segundo descrito na embalagem (a gelatina em pó que eu usei diz que um pacote é suficiente para meio litro);
– Um pouco de leite, o suficiente para tudo der 1 litro de líquido, uma caixinha da medida do leite condensado acho que dá;
– 1 liquidificador com capacidade mínima de 1 litro e com graduação para saber quanto líquido tem dentro;

Taca tudo no liquidificador, menos o leite, a gelatina em pó e o liquidificador, até porque não tem como botar uma coisa dentro dela mesma. Bata tudo durante alguns segundos (não contei quantos eram, acho que eram uns 60 ou 90). Prepare a gelatina em pó segundo as instruções da embalagem da mesma, adicione a gelatina preparada e o leite até dar 1 litro (confesso que botei a olho e deu 1 litro) e bata tudo de novo. Adicione em formas até acabar o líquido, e se acabarem as formas, improvise com copos pequenos, que foi o que eu fiz. Ponha tudo na geladeira e deixe endurecer, acho que em 4 horas está pronto o bagulho. Aí, já pode comer.

Observação: o fabricante do suco em pó Nutrinho não patrocinou este post.

Pipoca comum no micro-ondas:

– Meia xícara (ou meio copo daqueles baixinhos, caso não tenha uma xícara) de milho para pipoca;
– 1 tampa para micro-ondas;
– 1 micro-ondas;
– 1 recipiente grande que possa ir ao micro-ondas;
– Sal;
– Um pouco de óleo;

Coloque o milho no recipiente junto com um pouco de óleo, tampe com a tampa e aqueça no micro-ondas utilizando a função “pipoca” de seu aparelho (no meu, o tempo é de 3 minutos e 30 segundos, programe esse tempo caso seu aparelho não tenha essa função). Coloque sal e coma as pipocas.

Observação: não jogue fora os milhos que não estouraram. Após comer as pipocas, reaqueça os milhos no micro-ondas, com um pouco de óleo, e pare imediatamente o aquecimento ao perceber que os estouros pararam.

Ovo cozido no micro-ondas:

– 1 ovo;
– 1 micro-ondas;
– 1 garfo;
– 1 xícara, copo ou prato;
– 1 tampa para micro-ondas;
– Sal;

Quebre o ovo dentro da xícara, do copo ou do prato, fure a gema com o garfo e adicione um pouco de sal. Cozinhe o ovo no micro-ondas por 1 minuto, utilizando uma tampa para micro-ondas, e depois coma com o garfo.

Observação: o ovo terá aparência de um ovo frito, todavia, como não houve fritura no óleo, tecnicamente é considerado um ovo cozido, ainda que muito diferente do ovo cozido tradicional. Apesar que a fritura também é um tipo de cozimento, logo, ovos fritos também são tecnicamente ovos cozidos.

Sanduíche de hambúrguer com ovos:

– 4 fatias de pão de forma;
– 2 ovos;
– 1 hambúrguer;
– 1 frigideira;
– Um pouco de óleo para a fritura;

Em uma frigideira, frite o hambúrguer e depois os dois ovos. Após isso, monte o sanduíche, colocando uma fatia de pão, um dos ovos fritos, outra fatia de pão, o hambúrguer, mais uma fatia de pão, o outro ovo frito e a última fatia de pão. Agora é só comer o sanduíche antes que o mesmo esfrie.

Observação: os ovos podem ser preparados no micro-ondas, de acordo com a receita anterior, todavia, como o hambúrguer vai ser frito de qualquer jeito, eu aconselho a aproveitar a frigideira e fritar os ovos.

Caso não tenha visto, eu postei em 2010 uma receita de banana com aveia aqui no blog, que pode ser acessada através do link neste parágrafo.

O paradoxo da carne moída

Posted in Idiotices on 31/12/2013 by Allan Taborda

A matemática tem suas bizarrices, incluindo seus conjuntos numéricos. Algumas das bizarrices a maioria das pessoas nem sabe para que serve, apesar de que tudo na matemática possui alguma aplicação, por mais bizarro que a bizarrice possa parecer. Entretanto, algumas bizarrices acarretam em alguns paradoxos igualmente bizarros, como o famigerado da divisão por zero e o paradoxo da carne moída, que irei explicar neste post, e que na verdade é um conjunto de paradoxos, considerando cada exemplo.

Conjuntos numéricos são conjuntos de números que possuem uma determinada particularidade, como o conjunto dos números naturais, que são inteiros e representam quantidades positivas e também inclui o zero (isso por si só já é um paradoxo, pois se o zero é um número natural, ele deveria ser positivo, mas como ele é zero e está situado no meio da reta numérica, ele não é um número positivo e não deveria ser um número natural, mas ele é um número natural), o conjunto dos números inteiros, que é o conjunto dos números naturais mais os números negativos, o conjunto dos números racionais, que são os inteiros mais os fracionados, o conjunto dos números irracionais, que são como os racionais, só que piores, o conjunto dos números complexos, que têm bagulho de raiz quadrada de -1 no meio (e a própria raiz quadrada de -1 também é um paradoxo, pois não há nenhum número que elevado ao quadrado dá -1, entretanto já foi provado que ele existe, logo, deveria existir um número que elevado ao quadrado dá -1, mas o mesmo não existe, apesar de existir esse número), e por aí vai. Os números dos conjuntos numéricos exprimem uma determinada quantidade que existe no mundo real, por mais bizarra que essa quantidade seja.

Agora imagine um açougue que vende, dentre outras carnes, carne moída, que é uma carne que pode ser fracionada em quantidades teoricamente mínimas, e vamos supor, ainda que isso não seja possível no mundo real, que o açougue tenha uma tecnologia de moagem que permita moer a carne até um tamanho não maior do que a constante de Avogadro (menor que isso faria os átomos da carne se quebrarem, fazendo o bagulho deixar de ser carne e virar outra coisa que não tem nada a ver), podendo a carne moída representar qualquer número que exista no mundo real, e imagine também que o açougue permite a venda de qualquer quantidade de carne moída que exista no mundo real, qualquer mesmo. Além disso, imagine também um freguês sacana que adora pedir quantidades bizarras de carne moída.

Aí o freguês sacana vai no estabelecimento e pede uma quantidade negativa de carne moída. Até que isto não chega a ser muito bizarro, pois o cara pode entregar carne moída no açougue e, na hora de pagar, receber dinheiro. Isso pelo menos na teoria, já que o açougue em questão permite a venda de qualquer quantidade de carne moída, na prática, quero ver você entregar carne moída no açougue e esperar receber dinheiro na hora de “pagar”. O açougueiro vai é te mandar engolir a carne moída, isto sim.

No outro dia, o freguês vai e sacaneia novamente o açougueiro, pedindo o número Pi em quilos de carne moída, ou então a raiz quadrada de 2 em quilos de carne moída. A quantidade, ao contrário da do dia anterior, é uma quantidade positiva, mas aí o sacana diz assim: “Olha, não pode errar uma única casa decimal sequer, entendeu?”, deixando o proletário emputecido e fazendo-o moer uma grande quantidade de gordura junto com a carne só de raiva, moendo não carne de segunda, mas de quinta. Só que, ainda que o infeliz açougueiro e o freguês sacana sejam imortais e que a carne não apodreça nunca (sei lá de que jeito, talvez o cara do açougue botou de pirraça formol no bagulho), o pedido bizarro nunca será concluído (ou seja, o Sol se apagará, o mundo acabará e o universo se colapsará, formando um novo Big Bang, antes do açougueiro terminar de atender o pedido), uma vez que o número Pi e a raiz quadrada de 2 são números irracionais, com infinitas casas decimais, sendo uma diferente da outra. Para piorar a situação, o açougueiro bizarro, na tentativa igualmente bizarra de tentar computar a quantidade de carne exata para atender ao pedido também bizarro do freguês sacana, ao computar uma enésima casa decimal do número irracional (que também é bizarro), irá fatalmente esbarrar na bendita constante de Avogadro, não podendo dividir a carne além disso (e mesmo que ele quebre os átomos da carne utilizando um reator de fissão nuclear ou um acelerador de partículas tipo LHC devidamente instalado no açougue, uma hora não será mais possível a divisão), acarretando no não atendimento correto do pedido, uma vez que não é possível representar correta e fielmente um número irracional, ainda que o mesmo represente uma quantidade do mundo real.

No outro dia após o pedido anterior ter sido atendido (incorretamente, visto a explicação acima), o freguês filho de uma boa prostituta vai lá no açougue e faz outro pedido sacana: ele pede um número complexo de quilos de carne moída (na verdade, todo número real é também complexo, visto que o coeficiente da parte imaginária é igual a zero, mas nesse exemplo em específico, o número de quilos é especificado com a parte imaginária diferente de zero). O problema ocorre na hora que o cara que mói carne precisa saber quanto é uma quantidade imaginária a fim de multiplicar essa quantidade imaginária pelo seu coeficiente (se o coeficiente fosse zero, seria mais fácil, pois todo número multiplicado por zero é igual a zero, mas a porqueira é diferente de zero) e então somar essa quantidade com a parte real do número da quantidade de quilos de carne moída do pedido. Visto que a unidade imaginária é igual à raiz quadrada de -1, o problema cai naquele paradoxo da raiz de -1 que citei no começo do post.

Ou pior, vamos supor que o safado fez três pedidos em separado, A, B e C, sendo que A é igual a B e C é diferente dos outros dois, e os três pedidos sejam de uma quantidade complexa de quilos de carne moída, com os coeficientes das partes complexas sendo diferentes de zero. Supondo que o açougueiro tenha heroicamente conseguido atender os três pedidos, o freguês paga os mesmos com uma quantidade provavelmente complexa de reais (imagine tal quantia sendo contabilizada) e vai para casa. Lá, ele resolve pesar os pedidos utilizando uma balança daquelas que têm dois pratos em cada lado e que compara se algo de um lado é mais pesado, menos pesado ou tem o mesmo peso do que o que foi posto do outro lado. Aí ele coloca os pedidos A e B cada um em um lado da balança, e então a mesma indica que ambos os pedidos têm o mesmo peso. O problema ocorre quando o sujeito resolve colocar o pedido C no lugar do pedido A (ou no lugar do B, que acaba dando na mesma). Visto que os números complexos não podem ser comparados se um é maior ou menos que o outro (exceto se todos os coeficientes da parte imaginária forem zero), podendo apenas comparar se um é igual ao outro, a balança não será capaz de determinar qual pedido contém mais carne. A situação se complica quando A e B são colocados cada um em um lado da balança e C ser colocado junto com A (ou junto com B, que acaba  dando na mesma). Ainda que A e B sejam iguais, a balança permanecerá sem determinar qual lado possui mais carne. A situação fica ainda mais complexa quando um dos lados da balança fica sem nenhuma carne e o outro lado fica com A, B, C ou uma combinação qualquer desses pedidos somados, permanecendo a indefinição de qual lado tem mais carne, ainda que um dos lados esteja vazio, exceto se o peso do pedido A (ou B, tanto faz) for o oposto ou o conjugado (ou qualquer outro número complexo com a parte complexa oposta) do peso do pedido C, o que aniquilará a parte complexa e fará a soma do peso das carnes moídas ser um número real, podendo assim determinar se o lado vazio possui mais ou menos carne do que a soma dos dois pacotes de carne do outro lado, ou a mesma quantidade de carne (ou seja, zero). Caso o peso dos pacotes A ou B seja o oposto do peso do pacote C, a soma dos pacotes será igual a zero, ainda que a parte real do número do peso tenha sinal oposto da parte imaginária do mesmo número (ou seja, o número é em parte positivo e em parte negativo).

Se tudo isso já é difícil de imaginar, agora imagine o sacana do freguês pedindo um número ainda mais complexo de quilos de carne moída, como por exemplo, um número quaternião, ou um número octonião, ou um número sedenião (o pior de todos, pois possui 16 dimensões (mais que o universo, que tem 11 dimensões segundo a teoria das cordas) e uma série de peculiaridades e regras bizarras para cálculos envolvendo tais números), ou ainda um complexo hiperbólico, um quaternião hiperbólico, um bicomplexo, um biquartenião, um coquartenião, um tessarino ou qualquer tipo de número mais complexo do que os complexos “normais” (se é que eles podem ser considerados normais). O açougueiro vai ter que fazer faculdade de matemática para poder moer a carne para o homem!

Daí o açougueiro se enche e resolve impor uma regra: somente serão aceitos pedidos de números racionais positivos de quilos de carne, e dízimas periódicas serão arredondadas para no máximo tantas casas decimais (não citei as dízimas periódicas, mas as mesmas caem no mesmo problema dos números irracionais que eu citei neste post, principalmente se pensarmos num caso em que o freguês pede um terço de quilos de carne moída e a quantidade de unidades resultantes da divisão até a constante de Avogadro presentes em um quilo exato de carne moída não é um número múltiplo de 3). Daí o freguês discípulo do Marquês de Sade e do Príncipe Sado vem e faz mais um pedido sádico: pede uma quantidade vertiginosamente elevada, por exemplo, um googolplex de quilos de carne. Independente de tal quantidade vertiginosamente gigantesca existir (e não existe no mundo real, ainda que fosse possível transformar toda a matéria do universo em carne), o açougueiro, como num ato de vingança, pede para o freguês escrever o número num papel. Ainda que o papel seja infinito e o número comece a ser escrito no momento do Big Bang, mesmo quando o Sol já ter esfriado o número ainda não teria sido escrito, ainda que o papel e lápis (ou seja lá o que tenha sido usado para escrever) sejam substituídos por um computador e o freguês tenha tuchado o dedo no botão do zero no teclado. E, considerando que a tentativa de se escrever o número enorme tenha sido feita com papel e caneta (ou outra coisa usada para escrever), ainda se toda a matéria do universo for convertida em tinta (ou grafite no caso de ser usado um lápis), a tinta (ou grafite) acabará antes do número ter sido escrito por completo.

Conclusão: ainda que todos os números expressem quantidades que existem no mundo real, nem todas as quantidades podem ser representadas com precisão, seja em quilos de carne moída ou qualquer outra unidade de medida.

Bônus: mais um paradoxo envolvendo os nossos dois personagens no mesmo estabelecimento que vende carne moída, ainda que este paradoxo seja na verdade uma idiotice minha (como se o post inteiro já não fosse). O freguês pede toda a quantidade de carne existente no mundo, sendo essa carne toda moída. Vamos supor que seja possível atender mais esse pedido, que é atendido. Considerando que, tanto o açougueiro quanto o freguês possuem carne em seus respectivos corpos, após o atendimento do pedido, ambos os personagens tiveram suas carnes moídas no processo. Sendo assim, presumivelmente, ambos morreram no processo. Neste caso, como foi possível o açougueiro entregar o pedido, e como foi possível o freguês receber o pedido? Como foi possível concluir o pedido, visto que a mão do açougueiro é que manipulava o moedor de carne e a mesma mão possui carne?

O post, postado a poucos minutos da virada do ano, termina aqui, e Feliz Ano Novo para todos!

Allan encontra Lena Katina (e vai ao show da mesma)

Posted in História, Música on 25/11/2013 by Allan Taborda

Após mais de cinco meses sem nenhum assunto interessante para postar, hoje relatarei o meu encontro com a cantora russa Lena Katina, ex-integrante da dupla t.A.T.u. (ou não tão ex-integrante assim, visto que ela ainda faz alguns shows com a Yulia Volkova, a outra integrante da dupla), em um jantar no hotel onde a mesma se hospedou, bem como o show feito por ela no feriado da proclamação da república.

Tudo começou no final do mês de Julho, quando teve início o financiamento coletivo de um show da Lena Katina em São Paulo no Queremos, um site de financiamentos coletivos de shows musicais. O site funciona da seguinte maneira: um determinado show musical é agendado para uma data futura, mas não é confirmado de imediato seu acontecimento. Para que um show seja confirmado, um determinado número de cotas pré-estabelecido precisa ser vendido e, somente após esse número de cotas ser completamente vendido, o show é confirmado e acontece na data marcada, caso contrário, é cancelado e o dinheiro arrecadado é devolvido.

Cada cota vendida, geralmente, dá direito a um ingresso e, dependendo do show, caso o “empolgado” (como é chamado quem compra cotas no site Queremos) compre duas ou mais cotas, este tem direto a algum benefício pré-estabelecido referente ao show, como conhecer o artista pessoalmente. Pelo mesmo site, é possível pedir um show de um determinado artista ou banda em uma determinada cidade, o que dá a ideia acerca da demanda de um show de algum artista ou banda em uma determinada cidade.

Para o show da Lena, agendado para o dia 15 de Novembro, eram necessárias 400 cotas a serem vendidas, cada uma a 70 reais, e caso o “empolgado” comprasse duas cotas, poderia conhecer a cantora pessoalmente, tirar foto com ela, obter um autógrafo dela e falar alguma coisa rápida com a mesma, e tal encontro era chamado de “meet & greet” (algo como “encontre e cumprimente”).

O prazo para o financiamento coletivo encerrar era de 20 dias, entretanto, as vendas não estavam alavancando e, após 10 dias do início do prazo, cerca de 100 cotas haviam sido vendidas apenas. A fim de alavancar a venda de cotas, a organização do show lançou uma promoção: os primeiros cinco “empolgados” que comprassem 10 cotas ganhavam um jantar exclusivo com a Lena Katina, realizado um dia antes do show, no dia 14.

Após ficar sabendo acerca do financiamento coletivo do show da Lena e da promoção do jantar com a mesma, eu, que sou muito fã do t.A.T.u. e consequentemente da Lena, após pensar durante alguns dias e vendo que eu tinha um dinheiro guardado, comprei as 10 cotas, (comprei primeiro 4, e depois que a fatura do cartão de crédito fechou e a mesma foi paga, mais 6, uma vez que meu limite não é muito alto). Além de mim, uma moça chamada Thamiris também comprou 10 cotas. Mais ninguém comprou as 10 cotas além de nós dois.

De maneira dramática, as cotas foram sendo vendidas, e alguns patrocinadores compraram algumas cotas e estamparam seus logotipos no mosaico de cotas da página do site Queremos referente ao show da Lena Katina. Faltando menos de dois dias, todas as 400 cotas foram vendidas e o show foi confirmado. Fiquei extremamente feliz com a confirmação do show e vibrei muito, pois iria ver uma das minhas cantoras favoritas pessoalmente e iria ainda jantar com a mesma.

Algum tempo depois, quando a minha mãe veio me visitar aqui em São Paulo, eu contei para ela acerca do show da Lena Katina, que eu ia no show, e também sobre o jantar que eu ia ter com ela um dia antes do show. Minha mãe detestou a ideia e disse para eu não ir no show, pois lá ia ter um monte de usuários de drogas fazendo uso das mesmas e poderia ser perigoso andar à noite, além de eu acabar ficando no meio da multidão. Eu respondi que não ia acontecer nada disso e que não ia ter tanta gente no show (e de fato não teve, se comparar o show da Lena com outros de maior tamanho, que ocorrem em casas de shows maiores do que o Hangar 110, que é uma casa de shows relativamente pequena, onde geralmente são realizados shows de bandas de rock alternativas).

O tempo passou e eis que chegou o dia do jantar com a Lena Katina. Dias antes, perguntei aos organizadores do evento onde e que horas iria ser o jantar, e me responderam que iria ser no hotel onde a Lena estava hospedada (me deram o endereço do hotel), às 21 horas (no dia, alteraram o horário para as 19 horas, o que foi até bom, pois eu não iria mais precisar forrar o estômago com alguma coisa para não ficar azul de fome até lá e nem precisaria matar o tempo em algum outro lugar).

Saí do serviço morrendo de ansiedade, peguei o metrô e fui até o hotel onde a Lena estava hospedada, a 10 minutos a pé da estação Trianon-Masp. Chegando lá, perguntei sobre o jantar e me pediram para aguardar num sofá que havia na recepção do hotel, pois eu havia chegado com uns minutos de antecedência. No sofá, estavam sentados uns repórteres da MTV que vieram para entrevistar a cantora russa.

Acabei puxando assunto com o pessoal (nem sabia que eram da MTV, depois que eles me falaram), a repórter (Talita Alves, do programa Coletivation, e que também é cantora) disse que ia entrevistar ela e tal, e depois de uns minutos, um rapaz chamado Jonathan (conhecido como Johnny, que era um dos organizadores do jantar e também fã da Lena) me chamou e me levou até o restaurante do hotel. Vieram junto comigo, além do Johnny, a Thamiris e a equipe da MTV.

Eu, o Johnny e a Thamiris nos acomodamos em uma mesa que acabou não sendo a mesa onde ocorreu o jantar, ficamos lá mais para esperar a Lena chegar. Aguardamos um pouco e então chegou a Lena. Eu estava muito ansioso desde que saí do serviço, e até aquele momento eu estava bem ansioso, mas como a Lena foi chegando “aos poucos”, consegui controlar a ansiedade. Primeiro avistei-a de longe enquanto ela falava com não sei quem, posteriormente ela caminhou até o fundo do restaurante, onde concedeu a entrevista à equipe da MTV. No caminho, a Lena me cumprimentou dizendo “Hi”, eu respondi “priviet”, (“olá” em russo), e ela respondeu de volta “priviet” e pegou na minha mão.

Durante a entrevista com a MTV, eu, que tinha levado uma câmera fotográfica digital, tirei uma foto de longe da Lena Katina sendo entrevistada, aí o Johnny me chamou atenção, pois fotos com flash poderiam prejudicar a entrevista. Depois chegou a equipe da Rede TV! que também entrevistou a Lena, em um local ligeiramente diferente.

Durante a entrevista com a Rede TV!, falei um pouco com o Sven Martin (o músico que trabalha com a Lena e que também veio para o jantar) arriscando algumas palavras em inglês (basicamente me apresentei e disse que eu trabalhava como programador), e depois tirei uma foto ao lado dele. Aproveitei e tirei também uma foto com a Talita Alves da MTV. Ambas as fotos foram tiradas com a minha câmera digital. Também saí de papagaio de pirata na foto de não sei quem. Nesse meio tempo, um dos garçons do local me perguntou quem era a moça que estava sendo entrevistada e eu respondi a ele que era a Lena Katina, fazendo uma breve explicação da carreira da cantora.

Depois das entrevistas, aí sim, fomos jantar, numa outra mesa, mais no interior do restaurante. A Lena sentou-se na ponta da mesa, o Sven se sentou à esquerda da Lena, o Johnny se sentou á direita, a Thamiris se sentou ao lado do Sven e eu me sentei ao lado do Johnny.

Aí eu me apresentei à Lena, disse “Menya Zovut Allan Taborda dos Santos” (“Meu nome é Allan Taborda dos Santos” em russo) e ela me respondeu “Prazer em conhecê-lo” em russo, que agora não me lembro as palavras dela, pois não aprendi a falar “Prazer em conhecê-lo” em russo, visto que eu estou no começo do aprendizado do idioma, aí o Johnny teve que traduzir para mim a partir da tradução da Lena para o inglês.

Aí a gente ficou conversando, mas a Lena falava mais do que o resto, até porque ela tinha mais assuntos. Me lembro que conversamos sobre a cidade de São Paulo, os lugares que tinham aqui, eu falei que eu estava gostando muito de morar aqui, eu comentei que eu morei na maior parte da minha vida em Praia Grande e antes eu morei em Curitiba, depois ela falou sobre a Rússia, falou sobre a KGB (acho que era sobre um livro que ela leu, que na KGB ninguém confiava em ninguém e mais não sei o quê), sobre a vida pessoal dela e do Sven, falamos sobre a comida também, além de outros assuntos, em mais ou menos umas duas horas de jantar.

Eu era o único que não sabia falar inglês, apesar de saber mais ou menos ler e escrever nesse idioma, mas eu entendia algumas coisas que eles conversavam. Outras eu pedia para o Johnny traduzir e, quando eu falava algo, o Johnny traduzia para o inglês. Não falei muito com ela, mas eu falei o mesmo que eu costumo falar quando eu converso com outras pessoas.

Na mesa ao lado, estava o ator Oscar Magrini e mais umas pessoas que o acompanhavam, todavia não chegamos a falar com ele, mas comentamos com a Lena sobre o ator.

Jantei uma carne enorme com uma batata recheada com queijo dentro e uns tomates com um outro queijo em cima. A Lena pediu a mesma coisa, a Thamires também, e o Johnny pediu um negócio que eu não entendi bem o que era, só sei que tinha alface. Era alface com umas tiras de não sei o que em cima. não me lembro o que o Sven pediu (acho que eu nem vi o que ele pediu). Para beber, pedi uma água de coco de caixinha (me embananei todo para abrir o bagulho), a Lena pediu chá, a Thamiris pediu suco, o Sven uma bebida aparentemente alcoólica que eu não sei qual era e o Johnny pediu guaraná.

As bebidas chegaram primeiro que as comidas, aí, quando eu consegui abrir a água de coco, eu ofereci à Lena, entretanto, ela entendeu que eu tinha proposto um brinde. Aí fizemos tintim, mas a bebida da Thamiris ainda não tinha chegado e o Sven deu um pouco da bebida dele para ela, aí ela acabou tomando duas bebidas.

Depois do prato principal (no qual após eu terminar de comer, eu disse ao garçom, no momento que este recolheu o prato, que o jantar estava ótimo), veio a sobremesa, que era sorvete. Tinha três opções de sabor, todo mundo (menos o Johnny, que me parece que não pediu sorvete) escolheu o de jabuticaba (não me lembro quais eram os outros sabores), que inclusive era rosa (nem sabia que sorvete de jabuticaba era dessa cor). Acho que foi o melhor sorvete que eu já tomei na vida. E ainda a porção de sorvete era generosa.

Sobre o cardápio, o mesmo não era muito vasto, mas havia opções boas de jantar e de bebidas. Apesar do custo do jantar já estar incluído no valor das 10 cotas que eu comprei (ou seja, não precisei pagar a consumação), no cardápio, constava o valor de cada pedido. O prato que eu pedi estava saindo 54 reais mais ou menos, e a água de coco uns 8 reais. O sorvete eu não vi o preço, pois o garçom ofereceu os sabores sem mostrar o cardápio.

Terminado o sorvete, foi a hora de tirar fotos. Com a minha câmera, foi tirada uma foto comigo entre a Lena e o Sven e uma com a Lena e comigo do lado (eu já tinha tirado uma ao lado do Sven). Também foi tirada uma da mesa com todo mundo em seus respectivos lugares. Ou melhor, duas da mesa, uma com a minha câmera e outra com o celular do Johnny, celular este que tirou outras fotos, como a com a Lena, a Thamiris e o Sven.

Nessa hora, também foram dados autógrafos. A Lena me deu um autógrafo em um papel que eu tinha levado (e o Sven também, embaixo do da Lena). A Thamiris levou um CD do t.A.T.u., acho que era a edição de aniversário de 10 anos do primeiro álbum da dupla.

Após terminado o jantar, foi todo mundo (inclusive a Lena) para a porta do hotel onde ficamos conversando mais um pouco. Alguns (inclusive a Lena) acenderam cigarros, entretanto, a cantora disse que pretendia parar de fumar para preparar o corpo para a maternidade, pois estava pensando em ter um filho. Ela também comentou que estava meio frio, então eu comentei que há pouco tempo atrás havia feito 33 graus na capital paulista. Falamos também outras coisas além disso.

Por fim, nos despedimos. Cumprimentei todo mundo, inclusive a Lena, que me abraçou e então eu beijei o rosto da cantora. Então fomos embora e a Lena e o Sven entraram novamente no hotel. Retornei para casa feliz da vida.

Na volta, voltei de metrô e a linha vermelha deu problema e fiquei esperando vários minutos pelo trem chegar. Aí lotou a composição, e o pior é que tinha um monte de torcedor do Santos comemorando a vitória do time naquele dia, aí o pessoal meio que ficou cantando dentro do trem.

Após terem sido feitas todas as fotos, eu removi o cartão de memória da câmera e guardei por precaução, para o caso de roubarem a câmera no caminho de volta, não perder as fotos que tirei. Aí, chegando na estação próxima ao local onde moro, me certifiquei se o cartão de memória com as fotos estava no meu bolso, aí eu vi que não estava. Procurei na minha bolsa e não achei. Já começando a achar que eu tinha perdido as fotos, procurei no compartimento da bolsa onde eu havia guardado a câmera e lá estava o cartão. Na pressa de remover o cartão, acabei por guardá-lo junto à câmera. Aliviado, pus o cartão de memória no bolso e caminhei até o local onde moro, e tão logo eu cheguei, publiquei as fotos no meu Facebook.

Como eu disse anteriormente, cada cota do financiamento coletivo do Queremos comprada dá direito a um ingresso. Como eu comprei 10 cotas mais por causa do jantar, então eu fiquei com 9 ingressos sobrando. Sem saber o que fazer com tanto ingresso, ainda no dia 14 resolvi postar no evento do Facebook relativo ao show da Lena Katina que eu tinha ingressos sobrando. Alguns me contataram e combinamos de nos encontrar próximos ao Hangar 110, casa de shows onde ocorreu o show e o meet & greet.

No início, antes de vir para o show, eu pensava em vender os ingressos, posteriormente eu passei a cobrar apenas pelos ingressos com direito a meet & greet o mesmo valor que eu paguei e os demais eu daria em troca de uma gratificação não obrigatória qualquer, mas eu acabei dando todos e recebendo algumas gratificações.

No dia seguinte, 15 de Novembro, foi o dia do show, que estava marcado para às 19 horas. O período do meet & greet foi das 14 às 17 horas. Eu estava me programando para chegar lá às 14 horas, mas me atrasei um pouco por causa do almoço e também devido a eu ter me embananado para chegar ao local do show, partindo da estação Armênia do metrô, pois não sabia por qual saída da estação eu deveria sair.

Chegando lá, havia uma fila um pouco grande, mas não de virar o quarteirão, que era a fila para o meet & greet com a Lena. Informei-me como eu devera fazer para retirar meus ingressos, uma vez que quem comprou as cotas no site Queremos deve retirá-los no dia e local do show, e então me informaram que a fila dos ingressos era a mesma da do meet & greet e que a pessoa já pegava o ingresso e já entrava para ver Lena.

Após ir para o fim da fila, contatei as pessoas que combinaram comigo de pegar ingressos por meio de torpedos SMS, a maioria já estava na fila e um estava do meu lado. Uma perguntou por SMS como eu estava e eu respondi que estava bem e que estava no fim da fila, aí ela enviou outro SMS dizendo que tinha perguntado como eu estava vestido e depois eu respondi que estava de camisa regata azul. Aí eu me encontrei com o pessoal, incluindo uma adolescente de 17 anos conhecida como Jenny (que até tinha ingresso para ela, mas ela ia pegar para uma amiga dela que não pôde comprar), que me acompanhou até o fim do show e ainda tiramos fotos juntos posteriormente. Junto com a Jenny, viram alguns amigos dela também.

Depois de um tempo na fila e tomando uma boa quantidade de sol que me deixou um pouco queimado, chegou a hora de eu pegar os meus ingressos e eu os peguei, mas deixei a Jenny passar na minha frente, mas teve um problema com o ingresso que ela ia pegar porque ela comprou o ingresso dela de segunda mão de uma outra pessoa e para pegar o mesmo, tinha que ser a pessoa que comprou originalmente o ingresso, aí eu peguei os meus ingressos, mas não fui direto para o meet & greet (tinha essa opção, mas aí, para ir ver a Lena novamente, tinha que pegar a fila novamente). Algum tempo depois, chegou a pessoa que vendeu os ingressos à Jenny e nesse meio tempo, eu passei para frente alguns dos ingressos para alguns que haviam combinado comigo de pegá-los.

Quando a gente voltou para a fila, ela já não estava tão grande e não precisamos esperar tanto para nos encontrarmos com a Lena Katina no meet & greet. Novamente, deixei a Jenny ir na frente, aí o rapaz da bilheteria carimbou nossos ingressos e fomos ver a Lena. A organização do evento liberava a entrada de um grupo de três ou quatro pessoas por vez (acredito eu), mas cada pessoa era atendida individualmente pela cantora, que autografava algo levado pelo fã e tirava uma foto com o mesmo (ou melhor, quem tirava a foto do fã e da Lena era uma fotógrafa que havia lá, parece que era a Patrícia Devoraes). Na entrada, uma moça que fazia parte da organização relembrava que não era permitido gritar, abraçar, beijar, agarrar ou puxar a Lena, caso contrário, o infrator seria posto para fora sem direito a retorno.

Enquanto a Lena atendia uma outra pessoa, eu dei um “oi” para Sven Martin (que estava acompanhando o evento) e falei para a Jenny que aquele era o Sven, o músico da Lena. Mas a menina parecia que estava hipnotizada e só olhava atônita para a cantora, como se não acreditasse no que via e eu acho que nem escutou o que eu falei. Ela levou umas fotos da Lena para serem autografadas, falou algo com ela e tiraram uma foto juntas. Chegando a minha vez, a Lena me reconheceu do jantar. Como eu já tinha pedido autógrafo no jantar, eu não trouxe nada para ser autografado, então ela pegou os ingressos que eu estava segurando e autografou todos. Não me lembro o que eu falei para a Lena naquele momento. Tiramos a foto e saí (o meet & greet foi rápido, cerca de um minuto), me encontrando novamente com a Jenny do lado de fora.

Depois, eu, a Jenny mais uns amigos dela fomos ao shopping D, que fica próximo do local. Ficamos um tempo lá, conversamos um pouco (falei bem pouco, menos do que no jantar), o pessoal comprou algumas coisas para comer e beber (eu não comprei nada por não estar com fome naquele momento), compraram mais não sei o que, e lá para umas 18 horas retornamos ao Hangar 110, onde fomos para a fila para entrar no show, de tamanho semelhante à fila anterior, e onde me livrei dos demais ingressos que eu ainda tinha comigo.

Um pouco tempo depois que a gente chegou na fila, flagramos a Lena Katina saindo da casa de shows pela porta da frente e entrando num carro. O carro deve ter levado-a de volta ao hotel para a cantora se arrumar para o show.

Apesar de no ingresso constar que a abertura da casa era às 19 horas e que o início do show era às 20 horas e 30 minutos, a casa abriu quase umas 20 horas. Um pouco antes, tirei algumas fotos com o pessoal (foi aí que eu percebi que a câmera digital que eu havia levado estava sem cartão de memória, pois quando eu removi o cartão no dia do jantar, eu acabei o substituindo por um adaptador microSD vazio, mas eu acabei usando o celular para fazer as fotos), além disso, fiquei com fome (eu estava sem comer a algum tempo) e comprei um cachorro quente de um vendedor que lá havia.

Na entrada, dois seguranças, um homem e uma mulher, revistavam todos os que entravam, com o homem revistando o homens e a mulher revistando as mulheres. Na hora de me revistar, o homem achou que meu celular fosse algo estranho e me pediu para mostrar o mesmo, apesar disso, não pediu para ver a câmera digital que estava no outro bolso, ele viu também o meu RG e depois me liberou para entrar. No caso da Jenny, demorou um pouco mais para ela entrar, pois ela estava com uma bolsa, aí tinha um suco que ela trouxe e não podia trazer nada de fora para consumir e ela teve que beber o bagulho antes de entrar no local, então eu fiquei esperando a Jenny enquanto a música eletrônica de antes do show tocava. Algum tempo depois, ela entrou e ficamos mais ou menos próximos do palco onde a Lena posteriormente se apresentou.

O interior do lugar não era muito grande (como acredito que devem ser outras casas de show), mas era suficientemente grande para acomodar as pessoas que ali estavam. Basicamente era uma pista onde todo mundo ficava em pé com um palco no fundo e uma área onde era possível comprar bebidas (mais detalhes nas fotos ao fim deste post).

O início do show demorou a ocorrer e se deu mais de uma hora e meia depois de entrarmos na casa de shows (acho que o relógio do Hangar 110 no qual se basearam os horários estava errado). Em alguns momentos, parecia que o show ia começar, mas não começava e outra música eletrônica tocava. Nesse meio tempo, deu tempo da Jenny ir comprar algo para beber e ir ao banheiro. Também nesse meio tempo, a produção do evento ajustou algumas coisas, como câmeras e uma bandeira do Brasil na parte de cima do lugar, que era restrita ao público. Nessa parte de cima com acesso restrito, a Lena Katina foi vista andando de um lado a outro, apesar de que a grande maioria dos que lá estavam não viram (e nem eu vi, fiquei sabendo por uma amiga da Jenny).

Depois de muita demora e do povo começar a pedir o início do show, gritando “Lena! Lena! Lena! Lena!”, eis que as cortinas do palco se abrem e o show começa com a Lena Katina, agora com cabelos mais loiros, cantando uma versão remix de Never Forget You (remix até pelo fato da Lena não estar com a banda completa, com apenas o Sven tocando).

A partir daí, ninguém ficou parado durante mais ou menos uma hora de show, onde a Lena Katina cantou suas músicas de sua carreira solo e alguns sucessos do t.A.T.u., com destaques para All The Things She Said (onde em um determinado momento da música, vários casais homossexuais que ali estavam se beijaram), Polchasa (versão em russo de 30 Minutes, inclusive o povo pediu para a Lena cantar uma música em russo) e Lift Me Up (onde vários balões vermelhos e brancos surgiram, uma ideia da equipe da casa de shows).

Ao final do show, eu e o grupo da Jenny ficamos mais um pouco no local e, depois das 23 horas, me despedi do pessoal e saí do Hangar 110 (tive que ir embora até porque eu tinha que pegar metrô e o mesmo fecha meia-noite). Nesse meio tempo, minha mãe me ligou para saber se estava tudo bem comigo. Na saída do estabelecimento, perguntei a uma moça que ali se encontrava e que se chamava Bianca o caminho até a estação Armênia do metrô e, para a minha surpresa, ela me informou que o caminho era uma linha reta (se eu soubesse disso antes, eu não teria me embananado tanto para chegar ao local). Reparei que ela pensou que eu fosse de outro país, provavelmente pela minha fala peculiar de Asperger. Agradeci a informação e fui embora, pegando um metrô tranquilo. A Jenny e seus amigos ficaram mais tempo e conseguiram ver a Lena novamente, saindo da casa de shows, e voltaram para casa de madrugada.

No dia seguinte, fiquei num estado que eu não sei descrever direito, seria tipo meio cansado, uma espécie de ressaca (embora eu não tenha bebido), sei lá, provavelmente devido a eu ter tido uma interação social intensa na qual eu não estou acostumado. Nesse mesmo dia, a Lena e o Sven participaram de um “meeting”, um evento de duas horas mais ou menos onde fãs faziam perguntas a ambos, evento este que eu não participei, pois custava 250 reais e eu já estava satisfeito em ter jantado com a Lena.

E acaba aqui o meu relato acerca da vinda da Lena Katina ao Brasil. Abaixo, seguem as fotos que eu tirei do jantar e do show:

SAM_0333

Aqui, um vídeo do show completo feito por uma outra pessoa (acho que foi feito pela organização do show, mas não tenho certeza):

Pesquisando no Youtube por “Lena Hangar 110”, há outros vídeos do show além deste.

Então é isso, pessoal, até o próximo post, que será feito quando eu tiver um assunto relevante no qual eu queira relatar neste blog.

Bônus: O vídeo a seguir não é de minha autoria, é de uma adolescente que inclusive eu vi na fila do meet & greet e no show chamada Myrella, é um vídeo feito um tempo antes do show e que eu quase chorei vendo o mesmo, e acredito que a autora do vídeo não vá se importar se eu divulgá-lo aqui:

Tutorial de atualização do Debian 6.0 para a versão 7.0

Posted in Tutoriais on 10/06/2013 by Allan Taborda

Em março de 2011, fiz um post com um tutorial de atualização do Debian 5.0 (codinome Lenny) para a versão 6.0 (codinome Squeeze). Neste post, sintetizarei o processo de atualização do Debian 6.0 para a versão 7.0 (codinome Wheezy), em uma versão simplificada do tutorial original, que é mais extenso e tem outros detalhes. Baseei-me nas instruções contidas no próprio site do Debian, que podem ser acessadas em http://www.debian.org/releases/stable/amd64/release-notes/ seções 4 e 5. Este tutorial foi testado nas versões 32 (i386) e 64 bits (amd64) do Debian GNU/Linux. Não foi testado no Debian GNU/kFreeBSD, mas creio que deva funcionar também para o mesmo, fazendo apenas uma adaptação com relação ao nome do pacote do kernel (onde está escrito linux-image, substitui-se por kfreebsd-image). Todos os comandos devem ser executados como root e recomenda-se, assim como na atualização da versão 5.0 para a 6.0, não usar o aptitude no lugar do apt-get para rodar os comandos (isso consta no tutorial do site do Debian).

1) Tecle Ctrl+Alt+F1 para ir para o console em modo texto e logue-se como root.

2) Instale todas as atualizações lançadas para a versão 6.0 pelo menos até a versão 6.0.7:

apt-get update
apt-get upgrade

3) (Opcional) Caso possua um conjunto de DVDs do Debian (dez, no total), insira um dos DVDs no leitor de DVDs e use o comando abaixo para adicioná-lo à lista de repositórios:

apt-cdrom add

Repita o processo para todos os DVDs.

4) Edite o arquivo /etc/apt/sources.list com um editor de texto, alterando todas as referências a “squeeze” para “wheezy”. Eu usei o nano como editor de texto.

5) Mate o modo gráfico (não sei sei isso é realmente necessário, mas o seguro morreu de velho):

killall gdm3

Se estiver usando outro gerenciador de login ao invés do GDM, altere a linha acima para matar o gerenciador que estiver usando (por exemplo, o KDM).

6) Atualize os pacotes para os do Wheezy (isto não atualizará todos os pacotes, mas é assim mesmo):

apt-get update
apt-get upgrade

7) Instale o kernel do Debian Wheezy:

apt-get install linux-image-3.2.0-4-amd64

A linha acima é específica para a versão 64 bits do Debian. Para a versão 32 bits, a linha seria:

apt-get install linux-image-3.2.0-4-686-pae

Caso esteja em dúvida e queira verificar o nome correto do pacote a ser instalado, use o comando:

apt-cache search linux-image

E instale a versão com nome semelhante à versão que já está instalada no sistema, que irá aparecer no comando acima também. Observação: na versão 32 bits, não há pacote de kernel 686 sem suporte PAE. Caso faça muita questão de não ter um kernel com suporte a PAE, sugiro instalar a versão 486 no lugar da 686.

8) (Opcional) Caso possua instalado o pacote ia32-libs ou deseje futuramente instalar pacotes 32 bits sendo a versão instalada do Debian a de 64 bits, execute os comandos abaixo:

apt-get install dpkg
dpkg –add-architecture i386
apt-get update

O primeiro comando instala a nova versão do DPKG, que possui suporte a multi-arquitetura. Substitua nos comandos acima i386 por amd64 se desejar instalar pacotes 64 bits sendo a versão instalada do Debian a de 32 bits (o kernel em execução deve ser a versão 64 bits quando for executar programas 64 bits). Caso não execute esse passo, o DPKG será atualizado normalmente junto com outros pacotes.

9) Rode o comando abaixo, que irá, de fato, atualizar o Debian para a versão 7.0:

apt-get dist-upgrade

10) Aproveite para remover pacotes inúteis, que eram dependências de outros pacotes mas que agora não são mais necessários, e, novamente, verifique (antes e depois de remover os pacotes inúteis) se não há mais nenhum pacote a ser atualizado:

apt-get upgrade
apt-get autoremove
apt-get upgrade

11) Reinicie o sistema, com o comando “reboot”.

12) Repita o passo 1 e rode o comando abaixo para remover o antigo kernel da versão 6.0 do Debian:

apt-get remove linux-image-2.6.32-5-amd64

A linha acima é específica para a versão 64 bits do Debian. Para verificar o nome correto do pacote a ser removido, use o comando:

apt-cache search linux-image-2.6

E isso é tudo. Caso deseje consultar um tutorial mais detalhado acerca da atualização do Debian para a versão 7.0, consulte o manual oficial no link do início deste post, que é bem maior e tem outros detalhes.