Arquivo para novembro, 2011

Obtendo o Debian (ou outras distros) usando o Jigdo

Posted in Tutoriais on 22/11/2011 by Allan Taborda

Desde Outubro de 2005, eu vendo pela Internet o Debian GNU/Linux, antigamente em CD (eram 14 CDs do Debian 3.1), posteriormente eu passei a vender também a versão em DVD e, com o aumento da quantidade de CDs nos quais o Debian é composto (atualmente são mais de 50, na atual versão 6.0), atualmente vendo apenas a versão em DVD, composta por 8 DVDs.

Cada vez que o projeto Debian lança uma atualização do conjunto de CDs/DVDs da distribuição, ou quando uma nova versão é lançada, lá vou eu baixar as novas imagens de instalação (atualmente, só as de DVD). Entretanto, eu não baixo tudo de novo quando sai uma atualização, ou mesmo quando é lançada uma nova versão. Eu utilizo o Jigdo para baixar as imagens ISO. Na minha opinião, o Jigdo é a melhor opção para obter as imagens de instalação do Debian (e de algumas outras distribuições também). E hoje, irei explicar como usar o Jigdo para baixar as imagens do Debian, aproveitando (ou não) partes de uma mídia de instalação mais antiga ou pacotes baixados anteriormente na hora de instalar atualizações de segurança da Internet, pelos repositórios do Debian.

O Jigdo trabalha da seguinte forma: ao invés dele baixar a imagem ISO propriamente dita, o Jigdo baixa os arquivos contidos na mesma, na sua maioria pacotes do Debian, e depois de baixar os arquivos, sempre de 10 em 10 (de 5 em 5 na versão para Windows), os adiciona a uma imagem ISO temporária que, ao término do download de todos os arquivos, se torna uma imagem ISO idêntica à que pode ser baixada dos servidores do Debian.

O Jigdo pode ser instalado no Debian/Ubuntu com o comando “apt-get install jigdo-file”, executando o mesmo com privilégios de root. Há também pacotes para outras distribuições, como o Fedora (consulte a documentação da distribuição em específico para saber como instalar o Jigdo) e até uma versão para Windows, que é meio bugada e eu não recomendo.

Uma vez instalado o Jigdo, para cada imagem ISO que quiser baixar, será necessário baixar dois arquivos, um com a extensão .jigdo e outro com a extensão .template, este sendo maior que o primeiro. Esses arquivos podem ser obtidos no site do Debian, na sessão de downloads dos arquivos para baixar o Debian com o Jigdo. Há também, em alguns repositórios na Internet, arquivos do Jigdo para versões antigas, para caso, por algum motivo, você precise de uma versão mais antiga do Debian.

O Jigdo é um programa em modo texto, mesmo na versão para Windows, que é executada pelo prompt de comando. Uma versão em modo gráfico chegou a ter seu desenvolvimento iniciado, mas não chegou a ser concluída. Na verdade, nem o Jigdo em modo texto é atualmente desenvolvido, visto que seu desenvolvedor encerrou seu desenvolvimento. Outros desenvolvedores atualmente trabalham num clone do Jigdo escrito em Python, que virá a substituir o Jigdo original.

Para executar o Jigdo, usa-se o comando: “jigdo-lite nomedoarquivo.jigdo”, com os arquivos .jigdo e .template no mesmo diretório que o comando é executado. Então, serão mostradas as informações acerca da imagem a ser gerada após os arquivos serem obtidos e aparecerá um prompt “files to scan”, neste prompt, você poderá informar o caminho de um diretório contendo pacotes do Debian, que pode ser inclusive o caminho do ponto de montagem do DVD, caso opte por usar um DVD já gravado do Debian (aí o caminho ficaria algo como /media/cdrom).

Eu costumo usar imagens ISO antigas para obter novas imagens ISO pelo Jigdo. Com um comando tipo “mount -t iso9660 -o loop imagem.iso /mnt/iso” (o diretório /mnt/iso deve ser previamente criado, e pode ser qualquer diretório, até mesmo um dentro do diretório de usuário, de preferência vazio), que deve ser executado com privilégios de root, é possível montar imagens ISO para que seu conteúdo possa ser escaneado pelo Jigdo, aproveitando os arquivos existentes nas mesmas.

Após escanear todos os diretórios desejados (eu escaneio o conteúdo de todas as imagens de DVDs antigas e mais o diretório /var/cache/apt/archives, onde ficam as atualizações de segurança baixadas pelo gerenciador de pacotes do Debian, e às vezes as imagens de DVD da versão i386 do Debian, caso eu tenha obtido essas primeiro e esteja obtendo a versão amd64 a fim de obter os novos pacotes que são comuns a ambas as versões), você pode dar Enter no prompt “files to scan”, o que fará o Jigdo a exibir o prompt perguntando de onde o restante dos arquivos deverá ser baixado. Você pode informar http://ftp.br.debian.org/debian/ e dar Enter, e então os arquivos restantes serão baixados, de 10 em 10, automaticamente do servidor brasileiro do Debian. Caso deseje baixar a partir do servidor estadunidense do Debian, substitua o “br” por “us” na URL anteriormente informada. Caso prefira o servidor alemão, substitua por “de”, caso prefira o servidor francês, substitua por “fr” e assim por diante. O servidor brasileiro costuma ser mais rápido para quem está situado no Brasil.

Ao final do download dos arquivos restantes, ou mesmo após escanear os diretórios, caso todos os arquivos tenham sido obtidos, a imagem ISO estará completa. Então, o Jigdo verificará a integridade da mesma, calculando seu checksum. Caso a imagem esteja íntegra (em 99% das vezes está), aparecerá a mensagem “Checksum matchs, image is good!” e a imagem estará pronta para ser gravada num DVD (ou num CD, caso seja uma imagem de CD, ou num disco BluRay, caso seja a imagem de BluRay, que só é distribuída pelo Jigdo ou por BitTorrent) ou usada para instalar o Debian numa máquina virtual.

O Jigdo, apesar de ter sido projetado especialmente para ser usado para obter imagens do Debian, pode ser usado para obter imagens ISO de outras distribuições, como o Fedora, caso haja a opção de baixar a distribuição pelo Jigdo, isto é, caso haja arquivos .jigdo e .template relativos às imagens ISO para serem baixados.

Então é isso. Caso tenha ficado com alguma dúvida do processo de obtenção de imagens ISO pelo Jigdo, escreva a mesma na sessão de comentários deste post.

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O possível fim do CD

Posted in Música, Temas polêmicos on 07/11/2011 by Allan Taborda

Hoje eu irei comentar acerca de uma notícia recente que saiu na Internet em alguns sites de notícias, a notícia de que, no final de 2012, as gravadoras iriam deixar de lançar CDs, passando a vender música apenas por meio de download digital. Seria o fim da venda de música em mídia física praticamente, a não ser edições especiais de colecionador, como ocorre atualmente com o disco de vinil.

Há muita gente que já não compra mais CDs e prefere baixar as músicas de seus artistas preferidos pela Internet, seja em lojas de músicas on-line ou, na maioria das vezes, por “vias não-oficiais”, como os torrents e sites que oferecem discografias completas. Há outras pessoas que continuam a comprar CDs, mas muitas vezes pegam os CDs e convertem para MP3 (ou para outros formatos) a fim de ouvirem no computador ou no MP3 player (celular, iPod, etc), e em muitos casos, guardam o CD e acabam não mais o escutando, escutando apenas os MP3 copiados do CD. Outros ouvem os CDs mesmo, independente de copiarem as músicas para o PC ou não. E em muitos casos, o CD é obtido por “vias não-oficiais”, os chamados CDs piratas.

Por essas e outras, o CD muitas vezes é tido como um formato de distribuição de músicas obsoleto. Muitos já previam que um dia o CD ia deixar de existir, principalmente os nerds, que preferem tudo digital ao invés de gravado em mídia física, até filmes, que muitas vezes demoram horas para o download terminar e ainda faz o usuário ter o trabalho de buscar legenda em sites de legendas (e algumas vezes não achar as legendas, ou achar legendas fora de sincronia e/ou com erros de português), trabalho esse que não teria se comprasse o DVD/BluRay original.

E hoje, vi na Internet que as gravadoras, pelo fato do CD já não dar mais o lucro esperado, iriam disponibilizar os álbuns dos cantores e das bandas tudo por meio de download digital, por meio das lojas de músicas on-line. Só haveriam uns poucos lançamentos em CD, como edições de colecionador, vendidos pela Amazon e/ou alguma outra loja tipo a Amazon. Na verdade, as gravadoras ainda não se pronunciaram oficialmente acerca disso, parece que há apenas rumores disso acontecer.

Tem gente até comemorando que isto vai possivelmente acontecer, pessoas que ouvem apenas música baixada da Internet, dizendo que já sabiam que isto ia acontecer. Mas o fato é que, na minha opinião, o fato do CD deixar de existir pode acabar sendo algo muito ruim para muita gente que gosta de ouvir música, inclusive para os que preferem a música no formato digital. Vou explicar o porquê.

A maioria das lojas on-line de músicas vendem as mesmas com a chamada proteção contra cópia, que impede que você escute as músicas em outros dispositivos, como num MP3 player portátil ou outro computador, permitindo apenas escutar a música no dispositivo onde a compra foi feita, e/ou limita o número de cópias para apenas alguns dispositivos, e/ou força você a escutar a música apenas em determinados players de áudio, todos eles sendo softwares proprietários e de código-fonte fechado, muitas vezes tendo versão apenas para Windows, o que impossibilita escutar a música em players em software livre ou em distribuições GNU/Linux.

Como se isso não bastasse, muitas lojas on-line de músicas vendem as mesmas em formatos proprietários, como o WMA e o AAC, pois os mesmos suportam proteção contra cópia, ao contrário do MP3 ou do OGG. Por esses formatos serem fechados, sem documentação e/ou protegidos por patentes, apenas alguns players nos quais o fabricante possui acordo com o detentor dos direitos intelectuais sobre o formato de áudio possuem suporte aos mesmos. Outros podem até ter suporte, mas fazendo a implementação por meio de engenharia reversa e tentando não violar nenhuma patente, o que faz com que a implementação alternativa não seja tão boa quanto a original (apesar disso, há implementações alternativas que acabam se saindo melhores que as implementações oficiais).

Citei os que compram CDs e os convertem para MP3 (ou para outros formatos). Com o fim dos CDs, isto não irá mais poder ser feito e o usuário será forçado a usar o formato de áudio da loja de aplicativos. E provavelmente não vai poder converter para outro formato, já que haverá a proteção contra cópia. E como provavelmente algumas gravadoras terão seus lançamentos condicionados a apenas uma loja de músicas on-line devido a acordos de exclusividade, o usuário não irá poder escolher uma loja concorrente a fim de comprar a música de sua banda favorita.

Até os que baixam as músicas por “vias não-oficiais” sairão perdendo, já que esses “lançamentos não-oficiais” são originários de cópias de CDs, que não possuem proteção contra cópia.

Mas quem sairá perdendo mesmo serão os fãs do CD, que gostam de manusear a mídia física e olhar o encarte do CD, que gostam de olhar na caixinha a lista de músicas do CD e que são “ouvintes de música à moda antiga”. Pode parecer idiotice para alguns, sobretudo para os que preferem baixar as músicas pela Internet, mas para quem gosta do bom e velho CD, não há nada melhor do que o mesmo, ainda que o usuário por ventura também o copie para o PC. Eu mesmo sou um fã dos CDs, ainda que eu os copie (mas não os redistribua em cópias digitais) para meu notebook.

A música digital não tem tanta graça quanto um CD. Não tem nem encarte o bagulho. E nem dá para ostentar a coleção na parede utilizando suportes afixados na mesma ou outro lugar onde a coleção possa ficar armazenada. E não me venham dizer que a música digital pode ser gravada em CD virgem, pois a graça não é a mesma, tem tanta graça quanto um CD pirata sem encarte e de baixa durabilidade.

Se o CD fosse uma mídia física de baixa durabilidade (como as fitas cassete) ou de manuseio difícil (como os discos de vinil, que também possuem sua legião de fãs e que existe até hoje, principalmente em edições de colecionador), ainda poderia ser um motivo para os CDs terem sua fabricação descontinuada, mas esse não é o caso.

Espero que essa notícia não se confirme e que, no futuro, eu ainda possa comprar CDs das minhas bandas e cantores favoritos. Se a notícia se confirmar, será uma grande perda para os amantes da música.