Era pós-PC: realidade ou mito?

No post de hoje, irei falar sobre a tal da era pós-PC que tanto se fala por aí, principalmente em sites relacionados a informática e tecnologia.

Muitos da área de informática (e até de fora dela) consideram que estamos vivendo (ou estamos próximos de viver) uma era pós-PC, onde o computador tradicional estaria sendo substituído por dispositivos móveis, como smartphones e tablets. Estes acreditam que os tablets, pranchetas eletrônicas como o iPad da Apple e o Samsung Galaxy Tab, juntamente com os smartphones, celulares que rodam aplicações e um sistema operacional como o Android, o iOS e o Windows Phone 7, serão o futuro da computação e que o tradicional desktop de ficar em cima da mesa, bem como os notebooks, cada vez menos seriam relevantes pelo fato de serem dispositivos mais complexos e de dos usuários geralmente usarem funções mais básicas, como acessar a Internet, ouvir música e digitar texto, a ponto de, no futuro, serem considerados como peças de museu. Se fala em, inclusive, armazenar os dados do usuário em algum servidor remoto (em um serviço de armazenagem de dados provido por empresas como o Google ou a Microsoft) e executar as aplicações por meio do navegador web (as aplicações ficariam localizadas em sites da Internet), a chamada computação em nuvem, também conhecida pelo termo Cloud Computing.

Eu acho essa história de era pós-PC uma grande bobagem. Eu ouço essa história de era pós-PC desde antes de eu ter meu primeiro computador, em 2002, na época dos Palms, os ancestrais dos atuais smartphones. Já se falava naquela época que os PCs iriam ser substituídos por dispositivos móveis. E até hoje, milhões de PCs e de notebooks são vendidos no mundo. E não irão deixar de serem vendidos tão cedo.

Além disso, nem tudo o que pode ser feito num PC pode ser feito num celular ou num tablet. E quando dá para fazer, não é tão confortável como se estivesse usando um PC ou notebook. Por exemplo, isto que eu estou fazendo agora, escrever este texto num editor de texto simples (para depois jogar no blog) e ouvir música ao mesmo tempo. Até dá para fazer isso no meu celular, mas além do fato da bateria acabar rapidinho, o teclado do celular é muito desconfortável e, pelo fato das teclas serem muito pequenas, eu vivo esbarrando na tecla do lado e tenho que corrigir o texto, sem contar que a autocorreção do celular às vezes corrige as palavras erroneamente pelo fato de tentar adivinhar o que eu quis dizer. E jogar o texto no blog então? Os textos que eu escrevo não são pequenos não, costumam ser grandes. Seria uma tarefa hercúlea selecionar todo o texto (mesmo textos pequenos já são meio difíceis de serem selecionados, pelo que vi), copiar o texto (nem sei como fazer isso), acessar o WordPress, clicar na página correta e colar o texto. E a bagaça nem tem como dar Alt-Tab, nem pelo teclado virtual.

Isto poderia ser feito num tablet também, mas, pelo fato da tela deste ser o teclado, parte da tela é comida pelo teclado virtual, restando menos espaço na tela para visualizar o texto (isso também ocorre com os celulares, obviamente). Além disso, por esse mesmo fato da tela ser o teclado, fica desconfortável você olhar para o que você está escrevendo e digitar ao mesmo tempo.

Outra coisa que eu costumo fazer no PC é programar, desenvolver softwares. Isso eu não tenho como fazer num celular, nem num tablet. Não existem ferramentas de desenvolvimento para dispositivos móveis. Imagine só, abrir o Eclipse (programa para desenvolvimento de softwares em Java e outras linguagens) no celular. A bateria provavelmente duraria muito pouco, além da hipotética versão do Eclipse para dispositivos móveis ter muito provavelmente menos recursos que a versão desktop. Outra coisa: já perceberam que as aplicações para celulares e tablets não são feitas nos próprios dispositivos, e sim em PCs? Além de tudo isso, pela natureza dos dispositivos móveis terem suas próprias plataformas de desenvolvimento, não é possível desenvolver aplicações em qualquer linguagem, somente algumas em específico.

Alguns podem afirmar que analistas disseram que os PCs iriam dar lugar aos dispositivos móveis. Mas esses palpiteiros profissionais (analista que faz previsões nada mais é do que um palpiteiro profissional) vivem dando palpites furados e errando suas previsões assim como ocorre com uns videntes que fazem previsões para o Ano Novo. Já vi cada previsão maluca que vocês nem vão acreditar, como por exemplo, a de que o Paradox (antigo software de banco de dados, não sei se ainda existe) iria ser o futuro dos bancos de dados para Windows, ou que o Windows Phone 7 irá em alguns anos dominar o mercado de sistemas operacionais para dispositivos móveis (o que é muito provável, ainda mais que outro palpiteiro, quase que simultaneamente a isso ser dito por pelo primeiro palpiteiro, disse que o Windows Phone 7 teria só um pouco mais de mercado do que atualmente tem).

Não sei que ano foi, mas acho que foi uns anos após eu já ter meu primeiro PC, vi uma notícia que o servidor web Apache havia sido portado para o sistema operacional Symbian, usado em smartphones mais antigos (hoje em dia, o Symbian está em vias de ser abandonado pela Nokia, atual proprietária do sistema). Na mesma notícia, foi dito que analistas previam que o futuro dos servidores web seriam os celulares (ou algo assim) e que buscadores como o Google teriam um grande desafio pela frente indexando conteúdo disponibilizado por servidores instalados em celulares que pipocariam na web a todo o instante. Até hoje essa previsão não se concretizou, e pelo jeito, nunca irá se concretizar. Quem aqui instala servidor web no celular? Alguém já viu uma pessoa instalar um servidor web no celular?

Os dispositivos móveis não irão substituir os PCs e notebooks, e sim coexistir com eles. Pode ser que, no futuro, os PCs evoluam para um dispositivo que permita fazer tudo o que se faz num PC e possua vantagens sobre este (ou seja substituído por um dispositivo semelhante). Mas ser substituídos pelos dispositivos móveis, isso certamente não irá ocorrer. Para mim, essa tal geração pós-PC seria, na verdade, uma geração pós-hegemonia do PC, não pós PC. E pode ser até que os tablets saiam de moda e caiam no esquecimento, podendo talvez desaparecer do mercado e/ou serem substituídos por outro badulaque tecnológico da moda (mas não é certo que isso ocorra, pode ser que a moda acabe mas continuem a existir tablets).

Sobre a chamada Cloud Computing, isso poderia ser um tema para um próximo post, mas basicamente, acho que a computação em nuvem também irá coexistir com a computação tradicional, uma vez que nem sempre é desejável manter os dados todos num servidor remoto, além de outras razões que irei explanar num outro post dedicado a este assunto.

É basicamente isso que eu acho dessa papagaiada de pós-PC. O post termina aqui. Até o próximo post, que poderá ser visualizado, assim como este e os demais, em um dispositivo móvel, uma vez que o WordPress possui uma interface própria para estes dispositivos. Só fazer comentários no post é que não é tão confortável, pelo que vi…

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