Arquivo para julho, 2012

Minha experiência com um MacBook Pro

Posted in Atividades profissionais, Temas polêmicos on 29/07/2012 by Allan Taborda

Quem me conhece, sabe que eu não sou fã da Apple e de seus produtos. Sempre critiquei a postura dessa empresa com relação às suas restrições absurdas de design e usabilidade, além de suas políticas restritivas tanto em seus produtos, como no que entra ou não na app store do iPhone por exemplo, quanto com relação às ameaças desleais aos seus concorrentes, processando a todo custo os mesmos por violação de supostas patentes, não com intenção de ganhar dinheiro em cima, como faz a Microsoft, mas com a intenção de eliminar os concorrentes do mercado. Isso sem contar nos erros de projeto que têm ficado cada vez mais frequentes, como iPad que esquenta muito e iPhone que pega fogo e tem problema de sinal caso segurado pelo usuário da maneira tradicional (e a Apple, na maioria das vezes, não admite as falhas, fazendo de conta que não existem).

Eu sempre critiquei a Apple (na verdade, nem sempre, só passei a criticar após conhecer melhor a empresa e ouvir falar mais de seus produtos e ver como eles realmente eram, antes disso, eu até achava legal a empresa devido a comentários de terceiros e, devido a esses comentários, tinha uma imagem positiva da Apple), mas até então nunca tive que usar um produto da empresa por um tempo prolongado. Minhas experiências anteriores com produtos da Apple se resumiam a duas vezes que usei o iPad, uma vez a primeira versão do tablet, na Saraiva, localizada no Shopping Metrô Santa Cruz, e a outra vez o iPad 2, na Fast Shop, próxima ao Metrô Carandiru. Nas duas vezes, eu abri alguns programas (não vi nada de mais nos mesmos), mas não consegui fechar nenhum deles por não descobrir de jeito nenhum como fazer isso. Na primeira vez, eu tentei até acabar a bateria do bagulho, na segunda o iPad tinha acesso à Internet e pesquisei no Google como fechar os programas e vi que existem tutoriais completos apenas para fechar programas no iPad (algo que deveria ser simples, como clicar num ícone de fechar o programa), mas acabei achando o tutorial demasiadamente complicado e desisti. O iPhone eu nunca usei (me parece que é praticamente o mesmo sistema operacional do iPad), o iPod menos ainda, e o MacBook eu tinha olhado por cima duas vezes em lojas de eletrônicos e não vi nada de mais, mas também não deu para tirar nenhuma conclusão, a não ser que o sistema operacional parece um “Linux com um ambiente gráfico diferente”.

Dos produtos Apple, o que eu tinha uma imagem menos negativa era justamente o MacBook, bem como o iMac (a diferença é que um é desktop e outro é notebook, mas ambos são “computadores tradicionais” da Apple). Eu tinha uma imagem menos negativa principalmente pelo fato de eu não ser fã de smartphones e tablets, independente de ser da Apple ou não, e ser mais fã de computadores tradicionais (desktops e notebooks). Mas, como eu já havia dito, nunca havia usado um computador da Apple por um tempo prolongado.

Nesta última semana, comecei a trabalhar numa nova empresa. Quando eu comecei a trabalhar, não havia um computador para mim, então a empresa teve que comprar um novo (que não é da Apple e provavelmente virá com Windows). Enquanto o novo computador não chegava, eu usei um outro pertencente a um colega que estava de férias no momento. Este outro computador era um MacBook Pro, o único computador da Apple da empresa (acredito eu). Este MacBook Pro possuía processador Core 2 Duo 2,53 GHz e sistema operacional MacOS X (sistema operacional exclusivo dos computadores da Apple), versão 10.6. Eu aceitei usar aquele notebook e passei a semana toda trabalhando no MacBook Pro. Para quem não sabe, eu sou programador Java. Agora, irei contar como foi essa minha experiência com o MacBook Pro. Vou adiantando desde já que não foi uma boa experiência.

Eu até estou conseguindo realizar meu trabalho, mas com um rendimento bem abaixo do que eu costumo ter quando uso um computador normal, com Windows ou Linux. Não devido a “mudar a cor do pasto”, porque eu costumo me adaptar bem a alterações de interface, como quando eu passei a usar o Gnome no lugar do KDE como ambiente gráfico do Linux e quando testei outros ambientes gráficos e sistemas operacionais, mas devido a vários problemas de usabilidade que encontrei.

Um dos problemas era que os programas tinham teclas de atalho diferentes do que costuma ser o padrão dos programas Windows/Linux. Muitas vezes, as teclas de atalho envolviam o uso de uma tecla que só existe no Mac, a tecla Command, a maioria das vezes substituindo a tecla Ctrl, apesar do Macbook ter a tecla Ctrl, que é usada em outras combinações de atalhos.

Além disso, algumas teclas tradicionais não possuem o mesmo comportamento como em outros computadores, como por exemplo a tecla End, que, quando pressionada, deveria fazer o cursor ir para o fim da linha, mas no MacOS X, faz o cursor ir para o final do documento ou não tem efeito algum. Talvez até exista uma maneira de como fazer o cursor ir para o final da linha (uma combinação de teclas talvez), mas não consegui descobrir e nem pesquisei como (isso é uma coisa que deveria ser algo intuitivo de ser feito).

Ainda com relação às teclas, apesar do MacOS X instalado no equipamento ser em português do Brasil, os dois teclados (o do notebook e outro USB, provavelmente o dono do equipamento não gostava do teclado do mesmo e plugou um USB, também da Apple, feito de alumínio) não possuíam teclas de acentuação e a tecla C cedilha, fazendo com que, quando eu precisasse acentuar as palavras, eu tinha que recorrer ao corretor ortográfico (quando tinha no programa em questão) e torcer para que o corretor corrigisse corretamente, quando não corrigia corretamente, ou quando não tinha corretor ortográfico, eu jogava a palavra no Google para ver se aparecia resultado escrito com acentuação correta ou copiava e colava o caractere acentuado de outro lugar, ou escrevia sem acento mesmo. Na verdade, até tinha alguns acentos no teclado, como o acento circunflexo na tecla 6, ativado em conjunto com a tecla Shift (nos teclados tradicionais, padrão ABNT2, a tecla 6 possui o trema), mas quando pressionadas as teclas com acentos, tanto antes quanto depois da letra a acentuar, o acento não ficava sobre a letra, ou seja, não servia para nada.

O teclado de alumínio USB tinha teclas de funções até o F19 (no do MacBook, só havia até o F12, como os teclados tradicionais). Para que serviam essas teclas de funções extra eu não sei, mas o que tinha de teclas de função de mais, tinha de teclas essenciais de menos. Por exemplo, não havia, além dos acentos e C cedilha, teclas como a Insert e a Print Screen. A tecla Backspace estava com o nome de “Delete”, apesar de ter outra tecla Delete, que era a Delete normal.

O principal problema de usabilidade do sistema operacional era a alternância falha entre os programas abertos, usando as teclas Command e Tab (equivalente à combinação entre as teclas Alt e Tab nos PCs normais). Mesmo quando um programa era fechado, ele ainda constava na lista de programas a alternar, atrapalhando a alternância entre programas e obrigando o usuário a clicar mais vezes no Tab ou a clicar no ícone presente no dock (uma barra de ícones que fica na parte de baixo da tela, com um efeito visual quando se passa o mouse sobre o mesmo). Além disso, o MacOS X trabalha com o conceito de alternância entre programas como um todo, com todas as suas janelas abertas (independente de quantas sejam), não das janelas individualmente, o que atrapalha a alternância entre as mesmas.

Parece que, mesmo após um programa ser fechado, ele continuava aberto em partes, constando na lista de programas a alternar e no menu da barra superior (no MacOS X, os menus ficam integrados à barra superior ao invés de ficarem localizadas nos próprios programas, algo aceitável, porque não atrapalha a usabilidade, apenas se muda o lugar do menu). Para fechar o programa completamente, tinha que se clicar na opção correspondente na barra de menus, e isso não funcionava para todos os programas.

Ainda sobre os programas abertos, não há como saber que programas estão abertos ou não, pois o dock exibe tanto os programas abertos quanto os fechados e não há uma barra de tarefas informando quais são os programas abertos, como ocorre nos outros ambientes gráficos. Só se sabe quais estão abertos minimizando todos eles.

O menu do MacOS X não possui uma lista dos programas instalados. Quando eu precisei de uma calculadora (e a mesma não estava presente no dock), recorri à busca presente no menu. Só depois que eu descobri que, para ver quais eram os programas instalados, tinha que abrir o gerenciador de arquivos, chamado de Finder. É como ter que abrir o Windows Explorer para saber quais são os programas instalados no Windows ou ter que abrir o Nautilus para saber quais são os programas instalados no Linux (ou FreeBSD, ou outro sistema que utilize o X Window System) com Gnome.

O programa responsável por editar arquivos TXT é o Editor de Texto (o nome é esse mesmo), apesar disso, caso o Editor de Texto seja aberto sem abrir um arquivo TXT existente, não há a opção de salvar o arquivo no formato TXT. O Safari, o navegador web padrão do MacOS X, possui problemas de usabilidade diversos, como não ter barra de status ou algo equivalente informando o destino de um link e não ter como voltar ou avançar mais de uma página no histórico de navegação (pelo menos, tinha o Firefox instalado).

Com relação ao hardware, o touchpad (área onde o usuário movimenta o mouse deslizando o dedo, presente na grande maioria dos notebooks) não possuía os dois botões relativos ao clique com os botões esquerdo e direito. O teclado presente no notebook possuía teclas com iluminação embaixo (não vi vantagem nenhuma nisso, a não ser se eu fosse usar o MacBook no escuro). O mesmo teclado possuía um botão que sugere que, ao ser pressionado, o drive de CD abriria (como ocorre nos outros notebooks que possuem essa tecla), apesar disso, aquele MacBook não possuía drive de CD e aquele botão não tinha efeito algum.

Havia um mouse sem fio da Apple (com conexão via bluetooth), o Magic Mouse, que era a única cousa que eu gostei naquele equipamento por possuir, além do scroll vertical, um scroll horizontal, devido ao mouse não possuir uma rodinha, mas sim um sensor no qual o usuário passa o dedo no sentido horizontal ou vertical e faz o efeito do scroll. Apesar disso, uma vez ou outra o scroll horizontal atrapalhava, mas algo totalmente aceitável, nada que comprometa o trabalho.

Pontos positivos do MacBook Pro: o mouse (que na verdade nem faz parte do MacBook, é um acessório externo). Pontos negativos do MacBook Pro: todo o resto. De zero a dez, eu dou nota 1,5 para este que está sendo até o presente momento o pior computador no qual eu já usei até hoje.

Eu, sinceramente, esperava mais do MacBook Pro, ainda mais que muito se ouve que os produtos da Apple, incluindo o MacOS X, são mais fáceis e mais intuitivos de se usar (algo que eu não vi naquele equipamento, muito pelo contrário, o sistema não era lá muito intuitivo, talvez seja porque uma mentira dita muitas vezes acaba sendo aceita como verdade). Para piorar, um MacBook Pro é muito mais caro do que um notebook de configuração similar fabricado por outro fabricante. Não sei o que os fãs da Apple e usuários do MacBook veem no mesmo, caso alguém tenha algo a dizer em defesa desse computador, escreva seu comentário na seção de comentários, expondo seu ponto de vista e/ou defendendo o computador da Apple.

Atualização em 05/08/2012: Após conversar com o dono do MacBook que eu havia usado (desde essa última semana, já estou usando o novo computador que já chegou, e veio com Linux, mais precisamente um Debian Testing customizado), ele me explicou umas coisas sobre o mesmo.

Sobre a acentuação nas palavras, realmente não há como teclar acentos como costuma-se teclar em outros sistemas operacionais, e nem dá para alterar o layout do teclado, mas há teclas de atalho que geram acentos, como por exemplo, Option + C que gera um C cedilha e outras combinações envolvendo a tecla Option com outras letras que geram acentos e, em seguida, o usuário tecla a tecla desejada. Apesar de ser pouco prático, como ele já se acostumou a gerar acentos dessa forma, ele nem acha ruim.

Sobre a tecla Home ir para o início do documento ao invés de ir para o início da linha, me foi explicado que, para ir ao início da linha, tecla-se Command + seta para a esquerda. Isto porque a Apple possui um ponto de vista diferente do que as teclas Home e End deveriam fazer. Como as funções de ir para o início e o final da linha são mais usadas do que as de ir para o início e o final do documento, creio que este ponto de vista acaba por fazer o uso do teclado um pouco menos prático, visto que usa-se mais a ida do cursor para o começo ou o final da linha do que do documento, ou seja, o segundo é que deveria ter combinações de teclas para essas funções, não o primeiro.

Sobre o MacBook não possuir drive de CD, ele possui sim um drive de CD, mas é diferente de qualquer drive de CD que eu já vi. Ele não possui uma bandeja, e sim uma fenda (que eu pensei que seria apenas uma fenda por onde o notebook dissipava calor), onde se introduz o CD ou o DVD (e por onde pode entrar poeira, já que a fenda nunca fica fechada). Aí, para ejetar a mídia óptica, aperta-se o botão do teclado, que também existe no teclado plugado na USB. Sobre o MacBook não possuir botões no touchpad, na verdade ele tem sim, mas não estão visíveis.

Sobre fechar completamente os programas, de fato eles ficam abertos mesmo após clicar no X, em estado de repouso, mas podem ser fechados pelo item correspondente do menu, como eu havia dito no post, ou com a tecla de atalho Command + Q.

Achei essa página acerca das teclas de atalho dos computadores da Apple, para caso alguém fique perdido tendo que usar um desses:

http://support.apple.com/kb/HT1343?viewlocale=pt_BR&locale=pt_BR

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