Investindo além do Tesouro Direto

No último post deste blog, falei sobre o Tesouro Direto, como investir no mesmo, os diferentes tipos de título e outras informações importantes. Mas há outras opções de investimento além do Tesouro Direto, algumas com rendimentos acima deste. Neste post, falarei sobre algumas dessas opções de investimento.

Observação: é recomendável ler o post anterior a este, onde eu falo sobre o Tesouro Direto, antes desse aqui, visto que algumas informações sobre o Tesouro Direto, como a tabela do imposto de renda e como abrir conta em uma corretora e transferir o dinheiro para a mesma, também valem para essas outras opções de investimento.

Há dois tipos de investimento: renda fixa e renda variável. Os investimentos de renda fixa são aqueles onde a fórmula de rendimento é predefinida, ainda que os ganhos variem em razão de um indicador variável, como a taxa Selic (nestes casos, diz-se que a rentabilidade é pós-fixada). O Tesouro Direto é considerado como investimento de renda fixa e seus títulos seguem fórmulas predefinidas de rendimento: o Tesouro Selic rende a taxa Selic, o Tesouro Prefixado rende um percentual prefixado e o Tesouro IPCA+ rende um percentual prefixado mais a inflação do período. Outros exemplos de investimentos de renda fixa são CDBs, LCIs, LCAs, LCs, debêntures, CRIs, CRAs, LFs, previdências privadas e a infame caderneta de poupança. Este post será focado em investimentos em renda fixa.

Já os investimentos de renda variável são aqueles onde não há uma fórmula de rendimento predefinida e os ganhos não podem ser dimensionados, podendo inclusive haver perdas de dinheiro. Muitos investimentos de renda variável podem ter natureza especulativa, isto é, se investe esperando que o ativo valorize, vendendo o mesmo na alta, correndo o risco do ativo se desvalorizar. O exemplo clássico de investimento em renda variável são as ações negociadas nas bolsas de valores. Além das ações, há também, dentre outros investimentos de renda variável, imóveis, ouro, moedas estrangeiras e criptomoedas, como o Bitcoin. Não falarei sobre investimentos em renda variável neste post, visto que o foco do mesmo é a renda fixa, que é mais segura para se investir, principalmente para iniciantes em investimentos.

Para alguns investimentos de renda fixa, como CDBs, LCIs, LCAs, LCs e poupanças, há a garantia do Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. Ou seja, em caso de quebra da instituição financeira responsável pelo título de investimento, o FGC paga o valor do mesmo, e este pagamento ocorre dentro de alguns meses (o período não é exato). O FGC garante investimentos de até 250 mil reais por CPF e por instituição financeira. Saldos de contas correntes também são cobertas pelo FGC, ainda que não sejam investimentos. O FGC não cobre investimentos em CRIs, CRAs, LFs, previdências privadas, debêntures e títulos públicos, incluindo os do Tesouro Direto (e os títulos públicos nem precisam de garantia do FGC, pois o governo já garante tais investimentos).

Alguns títulos de investimento de renda fixa são indexados por uma porcentagem do CDI (às vezes chamado de DI), que é uma taxa próxima à taxa Selic. A diferença entre a Selic e a CDI é que a Selic é a média ponderada da taxa de juros de todos os empréstimos interbancários com títulos públicos sendo dados como garantia, enquanto a CDI também, só que com outros títulos que não os títulos públicos sendo dados como garantia, geralmente títulos emitidos pelos próprios bancos. Outros usam outras fórmulas de rendimento (por exemplo, um percentual prefixado mais o índice IPCA, tal como o Tesouro IPCA+ do Tesouro Direto) ou são prefixados, com um percentual de rendimento predefinido.

Sobre a incidência de imposto de renda, alguns investimentos de renda fixa, como poupanças, LCIs, LCAs e debêntures incentivadas, são isentas de tributação, já outros investimentos, como CDBs, LCs, LFs e debêntures não incentivadas, há a incidência de imposto de renda seguindo a mesma tabela regressiva que eu citei no post anterior, sobre o tesouro direto. Planos de previdência privada possuem esquema de tributação diferente: os com tributação regressiva seguem uma tabela própria, variando de 35% até 10% dependendo do tempo investido, já os com tributação progressiva, a tributação é a mesma do imposto de renda retido na fonte.

Diferentemente do post anterior, eu não irei colocar vídeos explicando cada uma das modalidades de investimento, mas em canais do Youtube como o EconoMirna, o canal da corretora Rico e outros canais de educação financeira existentes, há vídeos explicando, com detalhes, tais opções de renda fixa. Neste caso, eu sugiro que pesquisem, pela busca do Youtube, pelas siglas e nomes dos investimentos que eu citei, e então aparecerão vídeos falando dos mesmos.

Todavia, eu irei resumir o funcionamento de algumas das principais modalidades de investimento de renda fixa (com exceção do Tesouro Direto, no qual eu falei sobre o mesmo no post anterior), em especial os CDBs, as LCs, as LCIs e as LCAs, onde pode-se investir através de corretoras, como a Rico, a XP Investimentos, a Clear Corretora ou a Easynvest.

Os certificados de depósito bancário (CDB) são empréstimos que o investidor faz ao banco (e o banco usa esse dinheiro para emprestar a pessoas físicas ou jurídicas, cobrando maiores que eles pagam aos investidores dos CDBs). Possuem uma data de vencimento na qual o dinheiro investido mais os juros (descontando o imposto de renda) são devolvidos ao investidor.

A maioria é indexada a uma porcentagem do CDI, e é recomendável que se faça investimentos somente em CDBs com juros de, pelo menos, 99% do CDI, ou a aplicação será menos rentável que o Tesouro Selic. Há CDBs, sobretudo os de bancos médios e pequenos, com juros superiores a 120% do CDI. Retornos maiores em CDBs se dão devido a um maior risco do banco quebrar (e para atrair investidores, eles remuneram mais). Como CDBs são cobertos pelo FGC, o investidor não perde dinheiro em caso de quebra do banco, fora que não é todo dia que um banco quebra, e um banco oferecendo CDB com 123% do CDI não significa que ele esteja para falir em um período de dois anos.

Alguns CDBs possuem liquidez diária, ou seja, podem ser sacados em qualquer tempo. Este podem ser usados como reserva de emergência tal qual o Tesouro Selic. Apesar disso, raramente tais CDBs remuneram mais do que 100% do CDI, fora que, sendo uma reserva de emergência, no caso da quebra do banco, o dinheiro só voltará a estar disponível após o pagamento do mesmo pelo FGC, que não é imediato e pode demorar meses, portanto, não recomendo tais CDBs, sendo preferível usar o Tesouro Selic como reserva de emergência.

As letras de câmbio (LCs) são semelhantes aos CDBs (para o investidor, acabam sendo praticamente a mesma coisa que os CDBs), a diferença é que na LC, o dinheiro é emprestado a uma financeira, enquanto no CDB, o dinheiro é emprestado a um banco.

As letras de crédito imobiliário (LCI), tal qual os CDBs, são empréstimos que o investidor faz ao banco, a diferença em relação aos CDBs é que o dinheiro investido é usado em financiamentos imobiliários, sendo pago às construtoras ou aos donos de imóveis, com o imóvel em questão sendo dado como garantia ao banco caso o financiamento não seja pago. A diferença para o investidor é que as LCIs são isentas de imposto de renda. Uma boa LCI é aquela que paga, pelo menos, 85% do CDI, menos que isso, a LCI renderá menos que o Tesouro Selic.

As letras de crédito do agronegócio (LCA) são quase a mesma coisa que as LCIs, a única diferença é que, em vez de financiar empreendimentos imobiliários, o dinheiro é usado em financiamentos de empreendimentos de agronegócio.

Não é recomendado fazer esses quatro tipos de investimento em bancos grandes, como o Itaú, a Caixa Econômica, o Bradesco ou o Banco do Brasil, visto que a rentabilidade oferecida é pequena. Há CDBs que chegam a render menos do que a poupança, como um que eu vi que rendiam ridículos 45% do CDI. A recomendação é que se possua uma conta em uma corretora, que, como eu escrevi no post anterior, funciona como plataformas com diversas opções de investimentos, servindo de intermediária para o investimento em CDBs, LCs, LCIs e LCAs de diversas instituições financeiras. Mas também é possível abrir contas de investimentos em bancos pequenos e médios que oferecem essas modalidades de investimento, como o Daycoval, o BTG Pactual e o Sofisa Direto.

Também não é recomendável manter quantidades maiores do que mil reais na poupança, visto que é a mesma um investimento com rentabilidade baixa, equivalendo a 70% da taxa Selic. Entretanto, a poupança ainda pode ser usada para armazenar uma pequena parte da sua reserva de emergência no valor de até mil reais (o que exceder este valor deve ficar guardado preferencialmente no Tesouro Direto, em títulos do Tesouro Selic), permitindo que esta quantia seja sacada rapidamente para o caso de pequenos imprevistos.

A poupança também pode ser usada como um local temporário para se acumular dinheiro, por um período de até seis meses, até que se atinja um valor mínimo a ser investido em um CDB ou outra aplicação financeira (CDBs, bem com LCs, LCIs e LCAs, possuem um valor mínimo para se investir, podendo ser mil reais, três mil reais, cinco mil reais, dez mil reais ou qualquer outro valor, até mesmo valores bem acima de dez mil reais). Para acúmulos de dinheiro por períodos maiores que seis meses, o Tesouro Selic é o mais indicado.

Sobre fundos de investimento, os mesmos consistem em, basicamente, pagar alguém para administrar um montante de dinheiro a ser investindo em outras aplicações. Eu não recomendo tais fundos, fora que, nos mesmos, há taxas de manutenção que consomem parte dos rendimentos. É preferível você mesmo administrar seus investimentos.

Sobre previdências privadas, o economista Samy Dana, em suas aparições em sua coluna no site de notícias G1, bem como em telejornais da Rede Globo, como o SPTV Primeira Edição, diz que as mesmas só são um bom negócio se não tiverem taxa de carregamento nem taxa de saída, e além disso, a taxa de manutenção não deve exceder 0,7% do valor investido. Como previdências privadas possuem muitos detalhes a ser prestar atenção e são demasiadamente complexas (se eu fizesse um post sobre elas aqui no blog, acho que daria um post duas vezes maior do que o sobre o Tesouro Direto), não sou fã das mesmas, e recomendo o uso do Tesouro IPCA+ para se guardar dinheiro para uma aposentadoria, bem como outros investimentos, como os citados neste post. O Tesouro IPCA+ é bem fácil, é só comprar os títulos.

Enfim, o básico sobre renda fixa além do Tesouro Direto é isso. Claro que eu poderia me aprofundar no tema e explicar outras modalidades de investimento, como as LFs (letras financeiras, semelhantes aos CDBs, mas sem cobertura pelo FGC e que só permite investimento com um montante de, pelo menos 150 mil reais, e que eu nunca vi constarem no rol de opções de investimento da corretora Rico) ou as debêntures (títulos emitidos por empresas e outras instituições, sem cobertura pelo FGC, com incidência de imposto de renda, exceto para as debêntures incentivadas, que fomentam investimentos em infraestrutura), mas o post poderia ficar muito grande e iria além do básico, que é o objetivo deste post. Caso tenha ficado alguma dúvida, deixe um comentário.

Ano que vem tem mais posts neste blog, e o próximo post será sobre criptomoedas como o Bitcoin (spoiler: tome cuidado), bem como outros investimentos em renda variável. Até o próximo post e feliz ano novo!

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Uma resposta to “Investindo além do Tesouro Direto”

  1. Eu comecei pelo tesouro direto, fui perdendo o medo, depois fui aprendendo sobre CDB, LCI, LCA.

    Uma dica que dou é sempre fazer todas as simulações possíveis para escolher qual investir, na corretora que sou cadastrado ( não sei nas outras ), tem a opção de simular o ganho (aproximado) no vencimento dos CDB, LCI, LCA, etc.

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