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O homem veio do macaco?

Posted in História on 08/03/2015 by Allan Taborda

Muitas pessoas leigas na teoria da evolução acreditam que a ciência diz que o homem evoluiu do macaco (sem especificar qual, alguns consideram que evoluiu do chimpanzé) e alguns criacionistas usam essa tese a fim de desacreditar a teoria da evolução, pois o homem é consideravelmente diferente do macaco, além do fato de ainda existirem macacos (como se a evolução de um animal a partir de outro incorresse obrigatoriamente na extinção do animal original ou que a evolução gerasse apenas uma linhagem de espécies descendentes). O fato é que essa ideia está totalmente incorreta e o homem não descende de nenhum primata dos dias de hoje, ainda que tenha algum parentesco com os mesmos (e tem parentescos com todos os mamíferos, animais e outros seres vivos, inclusive com o mato que cresce no terreno baldio da esquina, se for olhar de outro ângulo).

Hoje, sabe-se que o ser humano moderno (Homo sapiens) evoluiu a partir de outras espécies de homem, como o Homo erectus e o Homo habilis, que por sua vez evoluíram a partir de outros hominídeos, como os Australopithecus (desses, além dos hominídeos do gênero Homo, originaram também os hominídeos do gênero Paranthropus, muito provavelmente sem descendência com o homem), que por sua vez acredita-se que tenha evoluído a partir dos Ardipithecus, que era descendente de espécies como Orrorin tugenensis e Sahelanthropus tchadensis (possivelmente o último ancestral comum entre homens e chimpanzés), que eram descendentes de outras espécies de macacos primitivos, como o Proconsul africanus (ancestral tanto de humanos e chimpanzés como também dos grandes macacos, como gorilas), que descenderam de macacos ainda mais primitivos, como o Teilhardina asiatica, que descenderam de mamíferos arborícolas como o Carpolestes simpsoni (semelhante a um macaco, mas também com semelhança com os ratos), que descendem dos Eutheria, como o Eomaia scansoria (semelhante a um rato, é um dos primeiros mamíferos placentários, com placenta primitiva), de descendem dos primeiros mamíferos, que descendem dos terapsídeos (classe de vertebrados já extinta, considerada o elo entre os mamíferos e os répteis), que evoluíram de répteis menores (dos quais possivelmente evoluíram os dinossauros), que evoluíram de anfíbios (os primeiros a possuir membros), que evoluíram de peixes vertebrados com mandíbula, que evoluíram de peixes sem mandíbula, extremamente primitivos, que evoluíram das pikaias, que são considerados os mais antigos vertebrados, que descendem de animais semelhantes a vermes, que descendem dos primeiros animais (que habitavam o ambiente marinho), que descendem dos cianoflagelados (do reino protista, portanto, unicelular) que descendem de outros eucariontes (de núcleo celular com membrana), que descendem dos procariontes (sem membrana delimitando o material genético), que descendem das formas de vida mais antigas existentes, possivelmente derivadas de moléculas de RNA reprodutoras.

Acredito eu que, no futuro, o Homo sapiens evolua para uma ou mais subespécies, talvez culminando com uma espécie diferente depois de milhões de anos. Como o Homo sapiens habita o mundo inteiro, acredito que passe a existir apenas uma linhagem de espécies futuras de homem. Na verdade, a evolução já está ocorrendo dentro da espécie Homo sapiens, com pequenas mudanças graduais ao longo dos séculos. Já foram detectados genes que tiveram origem há apenas cinco mil anos, e além disso, a altura média de alguns povos aumentou alguns centímetros em média em relação à altura média desses mesmos povos há um século, além de terem ocorrido outras mudanças significativas, como o sono segmentado dos homens da idade média ter sido alterado para um sono contínuo de oito horas nos dias de hoje e a idade média da primeira menstruação das mulheres ter mudado de 17 para 12 anos em questão de séculos.

Ainda sobre a questão do homem ter parentesco até com o mato que cresce no terreno baldio da esquina, ainda que isso soe estranho, isso é verdade. O parentesco entre duas espécies pode ser verificado pelo número de semelhanças entre duas espécies, ainda que uma não tenha descendido da outra. O cachorro, por exemplo, possui uma mandíbula com dentes, cérebro, orelhas, caixa toráxica com costelas, um coração, um pulmão e outros órgãos, quatro membros com dedos, um sistema reprodutor semelhante, um pênis (ou vagina) e um ânus, além de outras partes do corpo, assim como nós humanos também temos, e outros animais também têm essas mesmas partes em seus corpos.

Algumas partes do corpo possuem diferenças entre os animais devido à evolução dos mesmos e de seus ancestrais ter caminhado em outra direção (por exemplo, a mandíbula e os membros dos cachorros em comparação com os humanos), mas ainda assim tais partes tiveram uma mesma origem em comum.

Em parentes um pouco mais próximos com os humanos, como os chimpanzés, tais partes do corpo são mais parecidas. Outros parentes mais distantes também guardam semelhanças com os humanos, ainda que as semelhanças sejam menores. Os jacarés, por exemplo, possuem boca com mandíbula, cérebro, olhos, sistema digestivo e ânus, assim como os humanos. O tubarão também tem olhos e mandíbula.

Mas e o mato que cresce no terreno baldio da esquina, qual seria a semelhança com os humanos? Tanto os humanos quanto o mato possuem células com material genético dentro de um núcleo definido por uma membrana, além de organelas citoplasmáticas encontradas nas células de ambas as espécies, como o complexo golgiense. É um parentesco bem distante entre as duas espécies (plantas evoluíram a partir de protistas com cloroplastos em suas células, enquanto os animais evoluíram de protistas cianoflagelados, e ambos os tipos de protistas descenderam de um mesmo protista) e as células de ambas as espécies possuem bastante diferenças devido à evolução paralela das espécies, como cloroplastos apenas nas células vegetais e citoesqueleto apenas nas células animais.

Respondendo a pergunta do título da postagem: não, o homem não veio do macaco, ele veio de outro homem mais primitivo, que possui um ancestral comum com os macacos de hoje em dia (se esse ancestral também pode ser considerado como um macaco é uma outra questão, e mesmo que seja, ele não originou diretamente o Homo sapiens, que é a nossa espécie. E se for considerar que o homem veio indiretamente do macaco, considerando que o ancestral comum entre o homem e o chimpanzé é um macaco, também deve-se considerar que o homem veio do mamífero arborícola parecido com um rato, que veio dos terapsídeos, que veio dos peixes, que veio dos protistas…

Ultimamente, tenho me interessado bastante acerca da evolução das espécies, principalmente a da nossa espécie, bem como sua origem.

Observação: caso acredite que eu tenha cometido algum equívoco em algum ponto desse texto, deixe um comentário relatando o equívoco.

Allan encontra Lena Katina (e vai ao show da mesma)

Posted in História, Música on 25/11/2013 by Allan Taborda

Após mais de cinco meses sem nenhum assunto interessante para postar, hoje relatarei o meu encontro com a cantora russa Lena Katina, ex-integrante da dupla t.A.T.u. (ou não tão ex-integrante assim, visto que ela ainda faz alguns shows com a Yulia Volkova, a outra integrante da dupla), em um jantar no hotel onde a mesma se hospedou, bem como o show feito por ela no feriado da proclamação da república.

Tudo começou no final do mês de Julho, quando teve início o financiamento coletivo de um show da Lena Katina em São Paulo no Queremos, um site de financiamentos coletivos de shows musicais. O site funciona da seguinte maneira: um determinado show musical é agendado para uma data futura, mas não é confirmado de imediato seu acontecimento. Para que um show seja confirmado, um determinado número de cotas pré-estabelecido precisa ser vendido e, somente após esse número de cotas ser completamente vendido, o show é confirmado e acontece na data marcada, caso contrário, é cancelado e o dinheiro arrecadado é devolvido.

Cada cota vendida, geralmente, dá direito a um ingresso e, dependendo do show, caso o “empolgado” (como é chamado quem compra cotas no site Queremos) compre duas ou mais cotas, este tem direto a algum benefício pré-estabelecido referente ao show, como conhecer o artista pessoalmente. Pelo mesmo site, é possível pedir um show de um determinado artista ou banda em uma determinada cidade, o que dá a ideia acerca da demanda de um show de algum artista ou banda em uma determinada cidade.

Para o show da Lena, agendado para o dia 15 de Novembro, eram necessárias 400 cotas a serem vendidas, cada uma a 70 reais, e caso o “empolgado” comprasse duas cotas, poderia conhecer a cantora pessoalmente, tirar foto com ela, obter um autógrafo dela e falar alguma coisa rápida com a mesma, e tal encontro era chamado de “meet & greet” (algo como “encontre e cumprimente”).

O prazo para o financiamento coletivo encerrar era de 20 dias, entretanto, as vendas não estavam alavancando e, após 10 dias do início do prazo, cerca de 100 cotas haviam sido vendidas apenas. A fim de alavancar a venda de cotas, a organização do show lançou uma promoção: os primeiros cinco “empolgados” que comprassem 10 cotas ganhavam um jantar exclusivo com a Lena Katina, realizado um dia antes do show, no dia 14.

Após ficar sabendo acerca do financiamento coletivo do show da Lena e da promoção do jantar com a mesma, eu, que sou muito fã do t.A.T.u. e consequentemente da Lena, após pensar durante alguns dias e vendo que eu tinha um dinheiro guardado, comprei as 10 cotas, (comprei primeiro 4, e depois que a fatura do cartão de crédito fechou e a mesma foi paga, mais 6, uma vez que meu limite não é muito alto). Além de mim, uma moça chamada Thamiris também comprou 10 cotas. Mais ninguém comprou as 10 cotas além de nós dois.

De maneira dramática, as cotas foram sendo vendidas, e alguns patrocinadores compraram algumas cotas e estamparam seus logotipos no mosaico de cotas da página do site Queremos referente ao show da Lena Katina. Faltando menos de dois dias, todas as 400 cotas foram vendidas e o show foi confirmado. Fiquei extremamente feliz com a confirmação do show e vibrei muito, pois iria ver uma das minhas cantoras favoritas pessoalmente e iria ainda jantar com a mesma.

Algum tempo depois, quando a minha mãe veio me visitar aqui em São Paulo, eu contei para ela acerca do show da Lena Katina, que eu ia no show, e também sobre o jantar que eu ia ter com ela um dia antes do show. Minha mãe detestou a ideia e disse para eu não ir no show, pois lá ia ter um monte de usuários de drogas fazendo uso das mesmas e poderia ser perigoso andar à noite, além de eu acabar ficando no meio da multidão. Eu respondi que não ia acontecer nada disso e que não ia ter tanta gente no show (e de fato não teve, se comparar o show da Lena com outros de maior tamanho, que ocorrem em casas de shows maiores do que o Hangar 110, que é uma casa de shows relativamente pequena, onde geralmente são realizados shows de bandas de rock alternativas).

O tempo passou e eis que chegou o dia do jantar com a Lena Katina. Dias antes, perguntei aos organizadores do evento onde e que horas iria ser o jantar, e me responderam que iria ser no hotel onde a Lena estava hospedada (me deram o endereço do hotel), às 21 horas (no dia, alteraram o horário para as 19 horas, o que foi até bom, pois eu não iria mais precisar forrar o estômago com alguma coisa para não ficar azul de fome até lá e nem precisaria matar o tempo em algum outro lugar).

Saí do serviço morrendo de ansiedade, peguei o metrô e fui até o hotel onde a Lena estava hospedada, a 10 minutos a pé da estação Trianon-Masp. Chegando lá, perguntei sobre o jantar e me pediram para aguardar num sofá que havia na recepção do hotel, pois eu havia chegado com uns minutos de antecedência. No sofá, estavam sentados uns repórteres da MTV que vieram para entrevistar a cantora russa.

Acabei puxando assunto com o pessoal (nem sabia que eram da MTV, depois que eles me falaram), a repórter (Talita Alves, do programa Coletivation, e que também é cantora) disse que ia entrevistar ela e tal, e depois de uns minutos, um rapaz chamado Jonathan (conhecido como Johnny, que era um dos organizadores do jantar e também fã da Lena) me chamou e me levou até o restaurante do hotel. Vieram junto comigo, além do Johnny, a Thamiris e a equipe da MTV.

Eu, o Johnny e a Thamiris nos acomodamos em uma mesa que acabou não sendo a mesa onde ocorreu o jantar, ficamos lá mais para esperar a Lena chegar. Aguardamos um pouco e então chegou a Lena. Eu estava muito ansioso desde que saí do serviço, e até aquele momento eu estava bem ansioso, mas como a Lena foi chegando “aos poucos”, consegui controlar a ansiedade. Primeiro avistei-a de longe enquanto ela falava com não sei quem, posteriormente ela caminhou até o fundo do restaurante, onde concedeu a entrevista à equipe da MTV. No caminho, a Lena me cumprimentou dizendo “Hi”, eu respondi “priviet”, (“olá” em russo), e ela respondeu de volta “priviet” e pegou na minha mão.

Durante a entrevista com a MTV, eu, que tinha levado uma câmera fotográfica digital, tirei uma foto de longe da Lena Katina sendo entrevistada, aí o Johnny me chamou atenção, pois fotos com flash poderiam prejudicar a entrevista. Depois chegou a equipe da Rede TV! que também entrevistou a Lena, em um local ligeiramente diferente.

Durante a entrevista com a Rede TV!, falei um pouco com o Sven Martin (o músico que trabalha com a Lena e que também veio para o jantar) arriscando algumas palavras em inglês (basicamente me apresentei e disse que eu trabalhava como programador), e depois tirei uma foto ao lado dele. Aproveitei e tirei também uma foto com a Talita Alves da MTV. Ambas as fotos foram tiradas com a minha câmera digital. Também saí de papagaio de pirata na foto de não sei quem. Nesse meio tempo, um dos garçons do local me perguntou quem era a moça que estava sendo entrevistada e eu respondi a ele que era a Lena Katina, fazendo uma breve explicação da carreira da cantora.

Depois das entrevistas, aí sim, fomos jantar, numa outra mesa, mais no interior do restaurante. A Lena sentou-se na ponta da mesa, o Sven se sentou à esquerda da Lena, o Johnny se sentou á direita, a Thamiris se sentou ao lado do Sven e eu me sentei ao lado do Johnny.

Aí eu me apresentei à Lena, disse “Menya Zovut Allan Taborda dos Santos” (“Meu nome é Allan Taborda dos Santos” em russo) e ela me respondeu “Prazer em conhecê-lo” em russo, que agora não me lembro as palavras dela, pois não aprendi a falar “Prazer em conhecê-lo” em russo, visto que eu estou no começo do aprendizado do idioma, aí o Johnny teve que traduzir para mim a partir da tradução da Lena para o inglês.

Aí a gente ficou conversando, mas a Lena falava mais do que o resto, até porque ela tinha mais assuntos. Me lembro que conversamos sobre a cidade de São Paulo, os lugares que tinham aqui, eu falei que eu estava gostando muito de morar aqui, eu comentei que eu morei na maior parte da minha vida em Praia Grande e antes eu morei em Curitiba, depois ela falou sobre a Rússia, falou sobre a KGB (acho que era sobre um livro que ela leu, que na KGB ninguém confiava em ninguém e mais não sei o quê), sobre a vida pessoal dela e do Sven, falamos sobre a comida também, além de outros assuntos, em mais ou menos umas duas horas de jantar.

Eu era o único que não sabia falar inglês, apesar de saber mais ou menos ler e escrever nesse idioma, mas eu entendia algumas coisas que eles conversavam. Outras eu pedia para o Johnny traduzir e, quando eu falava algo, o Johnny traduzia para o inglês. Não falei muito com ela, mas eu falei o mesmo que eu costumo falar quando eu converso com outras pessoas.

Na mesa ao lado, estava o ator Oscar Magrini e mais umas pessoas que o acompanhavam, todavia não chegamos a falar com ele, mas comentamos com a Lena sobre o ator.

Jantei uma carne enorme com uma batata recheada com queijo dentro e uns tomates com um outro queijo em cima. A Lena pediu a mesma coisa, a Thamires também, e o Johnny pediu um negócio que eu não entendi bem o que era, só sei que tinha alface. Era alface com umas tiras de não sei o que em cima. não me lembro o que o Sven pediu (acho que eu nem vi o que ele pediu). Para beber, pedi uma água de coco de caixinha (me embananei todo para abrir o bagulho), a Lena pediu chá, a Thamiris pediu suco, o Sven uma bebida aparentemente alcoólica que eu não sei qual era e o Johnny pediu guaraná.

As bebidas chegaram primeiro que as comidas, aí, quando eu consegui abrir a água de coco, eu ofereci à Lena, entretanto, ela entendeu que eu tinha proposto um brinde. Aí fizemos tintim, mas a bebida da Thamiris ainda não tinha chegado e o Sven deu um pouco da bebida dele para ela, aí ela acabou tomando duas bebidas.

Depois do prato principal (no qual após eu terminar de comer, eu disse ao garçom, no momento que este recolheu o prato, que o jantar estava ótimo), veio a sobremesa, que era sorvete. Tinha três opções de sabor, todo mundo (menos o Johnny, que me parece que não pediu sorvete) escolheu o de jabuticaba (não me lembro quais eram os outros sabores), que inclusive era rosa (nem sabia que sorvete de jabuticaba era dessa cor). Acho que foi o melhor sorvete que eu já tomei na vida. E ainda a porção de sorvete era generosa.

Sobre o cardápio, o mesmo não era muito vasto, mas havia opções boas de jantar e de bebidas. Apesar do custo do jantar já estar incluído no valor das 10 cotas que eu comprei (ou seja, não precisei pagar a consumação), no cardápio, constava o valor de cada pedido. O prato que eu pedi estava saindo 54 reais mais ou menos, e a água de coco uns 8 reais. O sorvete eu não vi o preço, pois o garçom ofereceu os sabores sem mostrar o cardápio.

Terminado o sorvete, foi a hora de tirar fotos. Com a minha câmera, foi tirada uma foto comigo entre a Lena e o Sven e uma com a Lena e comigo do lado (eu já tinha tirado uma ao lado do Sven). Também foi tirada uma da mesa com todo mundo em seus respectivos lugares. Ou melhor, duas da mesa, uma com a minha câmera e outra com o celular do Johnny, celular este que tirou outras fotos, como a com a Lena, a Thamiris e o Sven.

Nessa hora, também foram dados autógrafos. A Lena me deu um autógrafo em um papel que eu tinha levado (e o Sven também, embaixo do da Lena). A Thamiris levou um CD do t.A.T.u., acho que era a edição de aniversário de 10 anos do primeiro álbum da dupla.

Após terminado o jantar, foi todo mundo (inclusive a Lena) para a porta do hotel onde ficamos conversando mais um pouco. Alguns (inclusive a Lena) acenderam cigarros, entretanto, a cantora disse que pretendia parar de fumar para preparar o corpo para a maternidade, pois estava pensando em ter um filho. Ela também comentou que estava meio frio, então eu comentei que há pouco tempo atrás havia feito 33 graus na capital paulista. Falamos também outras coisas além disso.

Por fim, nos despedimos. Cumprimentei todo mundo, inclusive a Lena, que me abraçou e então eu beijei o rosto da cantora. Então fomos embora e a Lena e o Sven entraram novamente no hotel. Retornei para casa feliz da vida.

Na volta, voltei de metrô e a linha vermelha deu problema e fiquei esperando vários minutos pelo trem chegar. Aí lotou a composição, e o pior é que tinha um monte de torcedor do Santos comemorando a vitória do time naquele dia, aí o pessoal meio que ficou cantando dentro do trem.

Após terem sido feitas todas as fotos, eu removi o cartão de memória da câmera e guardei por precaução, para o caso de roubarem a câmera no caminho de volta, não perder as fotos que tirei. Aí, chegando na estação próxima ao local onde moro, me certifiquei se o cartão de memória com as fotos estava no meu bolso, aí eu vi que não estava. Procurei na minha bolsa e não achei. Já começando a achar que eu tinha perdido as fotos, procurei no compartimento da bolsa onde eu havia guardado a câmera e lá estava o cartão. Na pressa de remover o cartão, acabei por guardá-lo junto à câmera. Aliviado, pus o cartão de memória no bolso e caminhei até o local onde moro, e tão logo eu cheguei, publiquei as fotos no meu Facebook.

Como eu disse anteriormente, cada cota do financiamento coletivo do Queremos comprada dá direito a um ingresso. Como eu comprei 10 cotas mais por causa do jantar, então eu fiquei com 9 ingressos sobrando. Sem saber o que fazer com tanto ingresso, ainda no dia 14 resolvi postar no evento do Facebook relativo ao show da Lena Katina que eu tinha ingressos sobrando. Alguns me contataram e combinamos de nos encontrar próximos ao Hangar 110, casa de shows onde ocorreu o show e o meet & greet.

No início, antes de vir para o show, eu pensava em vender os ingressos, posteriormente eu passei a cobrar apenas pelos ingressos com direito a meet & greet o mesmo valor que eu paguei e os demais eu daria em troca de uma gratificação não obrigatória qualquer, mas eu acabei dando todos e recebendo algumas gratificações.

No dia seguinte, 15 de Novembro, foi o dia do show, que estava marcado para às 19 horas. O período do meet & greet foi das 14 às 17 horas. Eu estava me programando para chegar lá às 14 horas, mas me atrasei um pouco por causa do almoço e também devido a eu ter me embananado para chegar ao local do show, partindo da estação Armênia do metrô, pois não sabia por qual saída da estação eu deveria sair.

Chegando lá, havia uma fila um pouco grande, mas não de virar o quarteirão, que era a fila para o meet & greet com a Lena. Informei-me como eu devera fazer para retirar meus ingressos, uma vez que quem comprou as cotas no site Queremos deve retirá-los no dia e local do show, e então me informaram que a fila dos ingressos era a mesma da do meet & greet e que a pessoa já pegava o ingresso e já entrava para ver Lena.

Após ir para o fim da fila, contatei as pessoas que combinaram comigo de pegar ingressos por meio de torpedos SMS, a maioria já estava na fila e um estava do meu lado. Uma perguntou por SMS como eu estava e eu respondi que estava bem e que estava no fim da fila, aí ela enviou outro SMS dizendo que tinha perguntado como eu estava vestido e depois eu respondi que estava de camisa regata azul. Aí eu me encontrei com o pessoal, incluindo uma adolescente de 17 anos conhecida como Jenny (que até tinha ingresso para ela, mas ela ia pegar para uma amiga dela que não pôde comprar), que me acompanhou até o fim do show e ainda tiramos fotos juntos posteriormente. Junto com a Jenny, viram alguns amigos dela também.

Depois de um tempo na fila e tomando uma boa quantidade de sol que me deixou um pouco queimado, chegou a hora de eu pegar os meus ingressos e eu os peguei, mas deixei a Jenny passar na minha frente, mas teve um problema com o ingresso que ela ia pegar porque ela comprou o ingresso dela de segunda mão de uma outra pessoa e para pegar o mesmo, tinha que ser a pessoa que comprou originalmente o ingresso, aí eu peguei os meus ingressos, mas não fui direto para o meet & greet (tinha essa opção, mas aí, para ir ver a Lena novamente, tinha que pegar a fila novamente). Algum tempo depois, chegou a pessoa que vendeu os ingressos à Jenny e nesse meio tempo, eu passei para frente alguns dos ingressos para alguns que haviam combinado comigo de pegá-los.

Quando a gente voltou para a fila, ela já não estava tão grande e não precisamos esperar tanto para nos encontrarmos com a Lena Katina no meet & greet. Novamente, deixei a Jenny ir na frente, aí o rapaz da bilheteria carimbou nossos ingressos e fomos ver a Lena. A organização do evento liberava a entrada de um grupo de três ou quatro pessoas por vez (acredito eu), mas cada pessoa era atendida individualmente pela cantora, que autografava algo levado pelo fã e tirava uma foto com o mesmo (ou melhor, quem tirava a foto do fã e da Lena era uma fotógrafa que havia lá, parece que era a Patrícia Devoraes). Na entrada, uma moça que fazia parte da organização relembrava que não era permitido gritar, abraçar, beijar, agarrar ou puxar a Lena, caso contrário, o infrator seria posto para fora sem direito a retorno.

Enquanto a Lena atendia uma outra pessoa, eu dei um “oi” para Sven Martin (que estava acompanhando o evento) e falei para a Jenny que aquele era o Sven, o músico da Lena. Mas a menina parecia que estava hipnotizada e só olhava atônita para a cantora, como se não acreditasse no que via e eu acho que nem escutou o que eu falei. Ela levou umas fotos da Lena para serem autografadas, falou algo com ela e tiraram uma foto juntas. Chegando a minha vez, a Lena me reconheceu do jantar. Como eu já tinha pedido autógrafo no jantar, eu não trouxe nada para ser autografado, então ela pegou os ingressos que eu estava segurando e autografou todos. Não me lembro o que eu falei para a Lena naquele momento. Tiramos a foto e saí (o meet & greet foi rápido, cerca de um minuto), me encontrando novamente com a Jenny do lado de fora.

Depois, eu, a Jenny mais uns amigos dela fomos ao shopping D, que fica próximo do local. Ficamos um tempo lá, conversamos um pouco (falei bem pouco, menos do que no jantar), o pessoal comprou algumas coisas para comer e beber (eu não comprei nada por não estar com fome naquele momento), compraram mais não sei o que, e lá para umas 18 horas retornamos ao Hangar 110, onde fomos para a fila para entrar no show, de tamanho semelhante à fila anterior, e onde me livrei dos demais ingressos que eu ainda tinha comigo.

Um pouco tempo depois que a gente chegou na fila, flagramos a Lena Katina saindo da casa de shows pela porta da frente e entrando num carro. O carro deve ter levado-a de volta ao hotel para a cantora se arrumar para o show.

Apesar de no ingresso constar que a abertura da casa era às 19 horas e que o início do show era às 20 horas e 30 minutos, a casa abriu quase umas 20 horas. Um pouco antes, tirei algumas fotos com o pessoal (foi aí que eu percebi que a câmera digital que eu havia levado estava sem cartão de memória, pois quando eu removi o cartão no dia do jantar, eu acabei o substituindo por um adaptador microSD vazio, mas eu acabei usando o celular para fazer as fotos), além disso, fiquei com fome (eu estava sem comer a algum tempo) e comprei um cachorro quente de um vendedor que lá havia.

Na entrada, dois seguranças, um homem e uma mulher, revistavam todos os que entravam, com o homem revistando o homens e a mulher revistando as mulheres. Na hora de me revistar, o homem achou que meu celular fosse algo estranho e me pediu para mostrar o mesmo, apesar disso, não pediu para ver a câmera digital que estava no outro bolso, ele viu também o meu RG e depois me liberou para entrar. No caso da Jenny, demorou um pouco mais para ela entrar, pois ela estava com uma bolsa, aí tinha um suco que ela trouxe e não podia trazer nada de fora para consumir e ela teve que beber o bagulho antes de entrar no local, então eu fiquei esperando a Jenny enquanto a música eletrônica de antes do show tocava. Algum tempo depois, ela entrou e ficamos mais ou menos próximos do palco onde a Lena posteriormente se apresentou.

O interior do lugar não era muito grande (como acredito que devem ser outras casas de show), mas era suficientemente grande para acomodar as pessoas que ali estavam. Basicamente era uma pista onde todo mundo ficava em pé com um palco no fundo e uma área onde era possível comprar bebidas (mais detalhes nas fotos ao fim deste post).

O início do show demorou a ocorrer e se deu mais de uma hora e meia depois de entrarmos na casa de shows (acho que o relógio do Hangar 110 no qual se basearam os horários estava errado). Em alguns momentos, parecia que o show ia começar, mas não começava e outra música eletrônica tocava. Nesse meio tempo, deu tempo da Jenny ir comprar algo para beber e ir ao banheiro. Também nesse meio tempo, a produção do evento ajustou algumas coisas, como câmeras e uma bandeira do Brasil na parte de cima do lugar, que era restrita ao público. Nessa parte de cima com acesso restrito, a Lena Katina foi vista andando de um lado a outro, apesar de que a grande maioria dos que lá estavam não viram (e nem eu vi, fiquei sabendo por uma amiga da Jenny).

Depois de muita demora e do povo começar a pedir o início do show, gritando “Lena! Lena! Lena! Lena!”, eis que as cortinas do palco se abrem e o show começa com a Lena Katina, agora com cabelos mais loiros, cantando uma versão remix de Never Forget You (remix até pelo fato da Lena não estar com a banda completa, com apenas o Sven tocando).

A partir daí, ninguém ficou parado durante mais ou menos uma hora de show, onde a Lena Katina cantou suas músicas de sua carreira solo e alguns sucessos do t.A.T.u., com destaques para All The Things She Said (onde em um determinado momento da música, vários casais homossexuais que ali estavam se beijaram), Polchasa (versão em russo de 30 Minutes, inclusive o povo pediu para a Lena cantar uma música em russo) e Lift Me Up (onde vários balões vermelhos e brancos surgiram, uma ideia da equipe da casa de shows).

Ao final do show, eu e o grupo da Jenny ficamos mais um pouco no local e, depois das 23 horas, me despedi do pessoal e saí do Hangar 110 (tive que ir embora até porque eu tinha que pegar metrô e o mesmo fecha meia-noite). Nesse meio tempo, minha mãe me ligou para saber se estava tudo bem comigo. Na saída do estabelecimento, perguntei a uma moça que ali se encontrava e que se chamava Bianca o caminho até a estação Armênia do metrô e, para a minha surpresa, ela me informou que o caminho era uma linha reta (se eu soubesse disso antes, eu não teria me embananado tanto para chegar ao local). Reparei que ela pensou que eu fosse de outro país, provavelmente pela minha fala peculiar de Asperger. Agradeci a informação e fui embora, pegando um metrô tranquilo. A Jenny e seus amigos ficaram mais tempo e conseguiram ver a Lena novamente, saindo da casa de shows, e voltaram para casa de madrugada.

No dia seguinte, fiquei num estado que eu não sei descrever direito, seria tipo meio cansado, uma espécie de ressaca (embora eu não tenha bebido), sei lá, provavelmente devido a eu ter tido uma interação social intensa na qual eu não estou acostumado. Nesse mesmo dia, a Lena e o Sven participaram de um “meeting”, um evento de duas horas mais ou menos onde fãs faziam perguntas a ambos, evento este que eu não participei, pois custava 250 reais e eu já estava satisfeito em ter jantado com a Lena.

E acaba aqui o meu relato acerca da vinda da Lena Katina ao Brasil. Abaixo, seguem as fotos que eu tirei do jantar e do show:

SAM_0333

Aqui, um vídeo do show completo feito por uma outra pessoa (acho que foi feito pela organização do show, mas não tenho certeza):

Pesquisando no Youtube por “Lena Hangar 110”, há outros vídeos do show além deste.

Então é isso, pessoal, até o próximo post, que será feito quando eu tiver um assunto relevante no qual eu queira relatar neste blog.

Bônus: O vídeo a seguir não é de minha autoria, é de uma adolescente que inclusive eu vi na fila do meet & greet e no show chamada Myrella, é um vídeo feito um tempo antes do show e que eu quase chorei vendo o mesmo, e acredito que a autora do vídeo não vá se importar se eu divulgá-lo aqui:

Como eu descobri ter Síndrome de Asperger

Posted in História on 01/03/2013 by Allan Taborda

Eu sempre tive um comportamento, de um modo geral, diferente do das outras pessoas. Não só o comportamento, mas a maneira de eu pensar, de agir, de me expressar, de uma série de coisas.

Sempre tive dificuldade de me relacionar com os outros. Na época da escola, eu ficava isolado de outros colegas, pois não me era interessante interagir com os mesmos. Quando eu tentava interagir com os outros, era como se eu falasse uma língua e os outros falassem outra, ainda que eu e os outros falássemos português. Isto também se repetiu na época da faculdade, embora nessa época eu já tentasse a todo o custo mudar isso, com poucos avanços relacionados a isso.

Meu problema de relacionamento não se dava apenas no ambiente presencial, mas também no virtual. Eu percebia que as pessoas me viam de uma forma diferente no Orkut, quando eu participava das comunidades, principalmente em comunidades onde havia bastante conversa. Além disso, eu acabava postando coisas que incomodavam as outras pessoas, ou coisas sem noção (e depois eu percebia que era sem noção). Cheguei a chorar uma vez quando vi que não conseguia me relacionar nem pela Internet, numa comunidade onde o povo conversava sobre assuntos variados. Mais recentemente, tentando arranjar uma namorada pela Internet, comecei a conversar com uma moça muito bonita e vi que ela estava ficando interessada, mas eu só fazia perguntas e eu não sabia o que escrever, até que eu escrevi uma pergunta que parece que ela não gostou e ela me respondeu que eu fazia perguntas estranhas, aí ela parou de se corresponder comigo e eu fiquei muito frustrado.

Nunca liguei para o que os outros pensavam ou curtiam. Sempre quis ter minhas próprias opiniões com relação a tudo, ainda que tais opiniões fugissem do senso comum relacionado. Sempre tive meus gostos musicais independente da moda do momento. Não só os gostos musicais, mas qualquer tipo de gosto, como do que eu gostava de assistir na TV, do que eu gostava de fazer, do que eu gostava de brincar quando eu era criança (brincava principalmente com meu irmão, que era praticamente o único com quem eu me relacionava), do que eu gostava (e gosto) de fazer no computador…

Por muitas vezes, eu acabava não gostando de nada do que havia em uma determinada área, como do teor dos textos que eu tinha que copiar quando eu estava na escola, nas aulas de português, ou como o teor dos enredos de séries de TV que passavam na época (apesar de eu assistir um ou outro seriado), então eu acabava por criar meus próprios textos e meus próprios personagens cujas histórias que eles participavam tinham enredos criados por mim.

Desde que eu me conheço por gente, eu consumo ter manias estranhas, com a de mexer com os braços, as mãos e os dedos de forma repetitiva ou limpar a boca seguindo sempre com os mesmos passos, na mesma ordem. Quando eu era bebê, segundo a minha mãe (e há também uma foto minha da época onde se pode notar isso), eu ficava abanando as orelhas repetidamente. Hoje em dia, eu não tenho tanto dessas manias repetitivas, só de vez em quando, quando estou sozinho, eu acabo por mexer os dedos repetidamente, e por uma quantidade menor de tempo do que antigamente.

Eu sofri muito bullying quando eu era criança, na época em que eu cursava da primeira até a quarta série do ensino fundamental, principalmente na quarta série, quando adquiri um grave problema na fala que tenho até hoje, embora o problema tenha diminuído bastante, com o passar do tempo. Meus colegas da época viam que eu era mais quieto, que eu seguia mais as regras que me eram impostas, viam que eu era “diferente” e me faziam de alvo para seus ataques de bullying.

Era perceptível que eu tinha algo de diferente das demais pessoas da mesma idade que eu. Eu mesmo percebia isso já desde a época que comecei a frequentar a escola. Durante alguns anos, acho que de meados dos anos 90 até 2005, minha mãe me levava ao ambulatório de saúde mental de Praia Grande (posteriormente, passei a ir sozinho), onde eu passava por consultas de psicólogas e psiquiatras. Cheguei a passar por uma fonoaudióloga, mas não fez efeito algum na minha fala, na verdade, só teve efeitos adversos. As psicólogas me ajudaram um pouco na parte emocional, já os psiquiatras passavam alguns remédios, mas nenhum diagnóstico do que eu tinha era dado. Os remédios prescritos iam desde antidepressivos até remédios para síndrome do pânico. Um psiquiatra disse que eu tinha dificuldade de aprendizado (com certeza, eu nunca tive isso, muito pelo contrário), chegaram a me falar que eu tinha um “problema crônico”, falando de um modo meio que pejorativo. Eu sei que tinha alguma coisa, mas eu não sabia o que era, mas parecia ser um problema dificílimo de ser solucionado, visto que, mesmo com os tratamentos, eu continuava do jeito que eu sou.

Em 2005, quando ocorreu a última tentativa de eu me tratar com um psiquiatra, me foram receitados uns remédios que fizeram meu comportamento ficar estranho, eu fiquei mais espontâneo e menos tímido, mas também comecei a agir de forma estranha e fiz coisas que eu não costumo fazer em meu juízo perfeito. Na época, eu acreditei estar ficando louco. Depois de ter uma crise de ansiedade e de eu adquirir dificuldade para urinar, foi comunicado ao psiquiatra sobre os ocorridos e o mesmo suspendeu abruptamente o tratamento, causando efeitos ainda mais adversos sobre mim, como uma depressão profunda. Cheguei a não ter mais vontade de sair de casa e pensei que talvez não voltaria à faculdade. Felizmente, isto ocorreu durante o período de férias e, até as aulas voltarem, eu já tinha quase totalmente recuperado da depressão.

Após o tratamento psiquiátrico fracassado, me tratei com florais com uma terapeuta holística (havia também consultas presenciais semanalmente). Alguns problemas como a ansiedade foram resolvidos, a habilidade de me comunicar melhorou um pouco, mas alguns problemas permaneceram, como o fato de eu nunca iniciar uma conversa e de não saber interagir com as pessoas.

Eu sempre me cobrei para ser o máximo possível como as outras pessoas. Tentava, na medida do possível, ser como as demais pessoas, ainda que muita gente não percebesse e até achasse que eu tentava ser diferente, especial. Lembro-me de que, na época da quarta série do primário, a professora (ou a diretora, ou ambas, confesso que não lembro com exatidão) gritou comigo dizendo que eu era um menino normal ou algo do tipo.

Durante toda a minha vida, formulei muitas teorias que explicariam o porquê de eu ser daquele jeito. Dentre essas teorias, estavam a de que a minha mãe não soube me criar direito e me criou errado, a de que eu era a reencarnação de um cachorro, de um gato ou de outro animal e que a reencarnação atual seria a minha primeira como humano, a de que eu era um espírito inferior (durante anos, eu fui espírita, hoje eu não tenho religião e não sei se Deus existe ou não), dentre outras teorias daquelas.

Sempre achei que boa parte da explicação para o meu comportamento era pelo fato de eu ser tímido. Eu acreditava, por muitos anos, ser extremamente tímido, tão tímido que eu acabei ficando do jeito que eu sou, ainda que outros tímidos que eu via não fossem como eu. Até que um dia, vi uma reportagem do Globo Repórter que falava sobre a timidez e mostrou o que era a timidez. Cheguei à conclusão de que eu não era exatamente uma pessoa tímida, pois fazia coisas que os tímidos não faziam, como falar em público (já fiz isso um monte de vezes). Além disso, vi que os tímidos não se comportavam como eu me comporto.

Houve uma época que eu pesquisei na Internet sobre alguma coisa que eu poderia ter. Cheguei a suspeitar que eu fosse disléxico, uma vez que minha letra é horrível e às vezes eu não entendia algumas coisas, mas aí eu vi o que era dislexia e descartei esse diagnóstico. Cheguei a ler o artigo da Wikipédia sobre Síndrome de Asperger, mas na época, o artigo estava mal escrito e era demasiadamente curto, dizendo que era uma condição parecida com o autismo descoberta nos anos 80 que consistia na pessoa levar tudo ao pé da letra, ou algo assim. Naquela época, eu descartei ter isso.

Entretanto, há cerca de um mês e meio, li novamente o artigo da Wikipédia sobre a Síndrome de Asperger e, ao contrário da primeira vez, acabei me identificando com os sintomas e características descritas no artigo, não com todos os sintomas e características, mas com a maioria dos mesmos, muitos que só eu sabia, pois não havia contado a ninguém. A fim de saber mais sobre a síndrome, pesquisei outros sites, que reforçaram a minha identificação com este diagnóstico, ainda que não feito por um psiquiatra (se eu não tenho Síndrome de Asperger, eu teria o quê então, uma outra síndrome com os mesmos sintomas da de Asperger?) e então eu acabei me autodiagnosticando como tendo Síndrome de Asperger.

Estou “digerindo” até hoje essa descoberta e desde então eu tenho feito mais pesquisas sobre essa síndrome, bem como sobre o autismo, uma vez que Asperger é uma das síndromes do espectro autista. Entrei em um grupo do Facebook sobre a Síndrome de Asperger, o Grupo Asperger – Brasil, e estou relatando minhas experiências acerca dessa síndrome, bem como participando dos tópicos criados por outros participantes.

Com esse autodiagnóstico, acabei por tabela entendendo melhor o porquê de eu ter tanta consideração, tanto carinho pela Mara, uma ex-colega de sala de aula dos tempos do ensino médio, chegando a chamá-la de irmã (ainda mais pelo fato de eu não ter uma de verdade). Provavelmente vocês devem ter percebido que o endereço do blog é irmaodamara.wordpress.com, ele vem do meu e-mail, irmaodamara@yahoo.com.br, que foi criado em 2004, após o término do ensino médio e quando comecei a faculdade. O nome de usuário do e-mail é uma homenagem à Mara. Como eu escrevi, eu sempre tive dificuldades para me relacionar com as pessoas, e para piorar, eu nunca conseguia iniciar uma conversa e sempre ficava quieto num canto. A Mara foi a garota que se relacionou comigo, conversou comigo, fez trabalho de escola junto comigo, me convidou para ir na casa dela passar o dia, veio na minha casa (isso ocorreu depois do término do ensino médio)… Ela me fez me sentir como se eu fizesse parte do grupo. Ainda que ela tenha pisado na bola algumas vezes (todo mundo tem seus defeitos e comete erros), sou até hoje grato pelo que ela me proporcionou. Hoje o nosso contato é mais pela Internet, já que eu estou morando em São Paulo e ela permaneceu em Praia Grande, no litoral paulista.

Descobrir que eu tenho Síndrome de Asperger me fez descobrir que não há cura para o que eu tenho, por outro lado, me fez descobrir que minha condição é mais comum do que eu pensava (eu cheguei a pensar que eu era o único assim), vendo outras pessoas com as mesmas dificuldades que eu. Ainda que eu não seja uma pessoa completamente normal, descobrir que eu tenho Síndrome de Asperger me fez sentir mais normal e não mais um ET.

Meu desejo é que a Síndrome de Asperger seja mais divulgada e mais conhecida pela sociedade, tanto para as pessoas terem mais informações sobre essa condição, tanto para quem está na mesma situação que eu ou tenha um filho nessas condições possa eventualmente se autodiagnosticar ou procurar um diagnóstico de um psiquiatra especializado.

Este post termina aqui. Confesso que este post demorou alguns dias para ser escrito, era para ter sido postado no Carnaval, entretanto, acabei demorando um pouco para terminar de escrever, até porque lembrei de coisas que eu passei e que mexeram um pouco comigo. Até o próximo post!

Último post do ano…

Posted in História on 31/12/2009 by Allan Taborda

…e o primeiro sendo postado através do meu novo notebook!

Ainda em Novembro, mais precisamente no dia 29, eu adquiri um notebook no site da Dell, um Inspiron 1545. Peguei a configuração padrão que tinha lá e fiz algumas alterações, como um processador um pouco mais rápido e com suporte ao módulo de virtualização da Intel (Core 2 Duo P8700 2.53 GHz), um HD maior (500 GB) e outras menos importantes.

Antes de montar minha configuração no site da Dell, eu tirei algumas dúvidas com uma atendente do chat on-line (apesar de que, geralmente, o chat não está disponível no domingo, mas naquele dia, estava disponível). Depois, eu montei a configuração que eu achei que a melhor possível (leia-se “melhor possível dentro dos limites orçamentários e que tenha o melhor custo benefício possível”). Fiquei um bom tempo quebrando a cabeça para analisar que componentes seriam escolhidos, principalmente com relação ao processador.

A memória RAM eu mantive a padrão, 3 GB, não compensava alterar para 4 GB. O HD eu aumentei do padrão de 320 GB para 500 GB porque o preço a mais era pequeno e compensava a mudança (ainda mais que eu irei armazenar bastante arquivos nele, além de manter instalados dois sistemas operacionais). O processador eu escolhi o modelo descrito acima mais pelo módulo de virtualização da Intel, além dele ter mais cache e ser um pouco mais rápido (até acessei o site da Intel para saber a diferença entre os modelos). Por 20 reais a mais, eu alterei a placa de rede wireless pela da Intel, que suporta todos os protocolos wireless e, segundo alguns, é a melhor que existe. O suporte a Bluetooth eu não adicionei, apesar de ser 30 reais a mais, uma vez que não possuo nenhum dispositivo Bluetooth (caso eu venha a ter um dia, eu comprarei um Bluetooth Dongle, que é uma espécie de pendrive que adiciona o suporte ao Bluetooth ao computador no qual esteja conectado e que sai até mais barato do que um chip interno Bluetooth). A bateria eu mantive a padrão, de 6 células, uma de 9 células, segundo o site da Dell, iria proporcionar apenas mais duas horas a mais de autonomia, além de fazer o notebook ficar mais pesado, não compensa o preço pago a mais. O restante dos itens de hardware não havia opções de configuração.

Na parte de software, a única alteração que eu fiz foi alterar o Windows 7 da versão Home Basic para a Home Premium, o que encareceu o notebook em 69 reais. Pelo site da Microsoft, no qual eu achei meio confuso, vi que a versão Home Premium possui vários itens a mais com relação à Home Basic. De resto, mantive o padrão para todos os outros softwares, inclusive para o pacote Office, no qual escolhi o Microsoft Works (do qual eu irei usar somente a aplicação de calendário, uma vez que o BrOffice.org, no qual eu instelei após o notebook chegar, não possui uma aplicação similar). Veio junto uma versão de avaliação de 30 dias da versão mais básica do Microsoft Office 2007 que eu não irei usar e, assim que os 30 dias acabarem (serão contados provavelmente assim que eu usar pela primeira vez o coiso), removerei-o sem dó nem piedade, ainda mais que eu não gosto do MS Office. O notebook veio também com o McAfee Security Center com assinatura de 15 meses de atualizações, no qual não havia opção de tirar da configuração e ficar sem antivírus.

A cor do notebook eu estava pensando em configurar como roxo ou verde, mas quando eu vi o valor cobrado a mais para ter uma cor diferente de preto (70 reais, 130 reais caso eu quisesse botar um desenho feito por um artista plástico), decidi deixar o notebook preto mesmo. E até que ele ficou bonito sendo preto.

Junto com o notebook, vieram de brinde um pendrive de 8 GB (7,5 GB reais, pelo que eu verifiquei posteriormente) e uma mochila para notebook. Apesar de serem brindes, ambos constam na nota fiscal, a preço de custo.

Após fechado o negócio, demorou quase uma semana para confirmarem o pagamento e iniciarem a montagem do notebook. Dia 14 de Dezembro informaram que o notebook estava pronto e que havia sido enviado. Então, navegando pelo site da Dell, fiquei sabendo que eu teria que estar presente para receber o notebook, já que era um objeto de valor, e isso não iria ser possível na data de entrega do notebook, dia 16, já que eu estava em São Paulo trabalhando e agora eu passo a semana por lá, num quarto que eu aluguei. Daí eu liguei para a minha mãe e deixei o recado de que, caso apareça a transportadora e perguntarem por mim, pedir para entregar o notebook no dia 21, dia no qual eu entro de férias.

No dia 21, o notebook não foi entregue. Achei o telefone da transportadora no Google (o telefone até havia sido informado por SMS pela Dell, mas estava incompleto, com apenas os dois primeiros dígitos, aparentemente o número completo não coube na mensagem) e então eu liguei para esse número. Fui informado que o notebook chegaria no dia 22, de manhã.

No dia 22, fiquei esperando o notebook chegar de manhã, mas até a parte de tarde, ele não havia chegado. Liguei novamente para a transportadora e perguntei quando ia chegar o notebook. O atendente me informou que passaram para entregar ao meio-dia e não tinha ninguém em casa. Detalhe: ao meio-dia, eu estava no portão da minha casa. Ou seja: falaram que tentaram entregar mas não entregaram nada. Dei uma bronca no atendente dizendo que eu estava em casa o dia inteiro e nem tocaram a campainha quando chegaram. Com voz de quem estava com as orelhas abaixadas, o atendente me disse que o notebook iria chegar ainda no dia 22, à noite, às 20:00 (fora do horário de entrega informado pelo site da Dell). Chegando no horário, fui até a porta a fim de esperar pela chegada do notebook e vi o carro da transportadora passando direto pela minha rua. Liguei novamente para a transportadora informando que o carro passou direto e o atendente me disse que o carro ia chegar daqui a pouquinho, em 15 minutos. Minutos depois, chegou o carro e fez a entrega. Na hora de assinas os bagulhos, o motorista pediu uma caneta emprestada já que ele havia esquecido e eu assinei o que tinha que assinar. Então, o motorista foi embora levando consigo a caneta.

A transportadora em questão é a Transportadora Americana, que tem convênio com a Dell. É considerada uma das piores transportadoras do país, com várias reclamações constando no site Reclame Aqui e no Procon. As reclamações que eu vi no site Reclame Aqui vão desde atraso na entrega (a maioria delas são acerca de atraso) até mercadoria violada. Essa transportadora, na minha opinião e na opinião de algumas pessoas que eu vi no site de reclamações ciitado, está sujando o nome da Dell, no qual o atendimento foi completamente diferente.

No dia 23, liguei o notebook pela primeira vez (no dia anterior, quando recebi o notebook, estava muito tarde e resolvi ligá-lo com mais calma no dia seguinte) e li o EULA do Windows 7, com todas suas restrições, então eu vendi minha alma ao Diabo clicando no checkbox de aceitar os termos da licença e depois eu terminei de fazer as configurações iniciais. Posteriormente, instalei uns programas que eu quis, como o BrOffice.org, o Firefox e o Eclipse com o Java Development Kit (vulgo JDK), esses dois últimos em versão 64 bits. Por causa dos dois primeiros, tive que manter instalada uma máquina virtual Java de 32 bits, usada só pelo Firefox e pelo BrOffice.org, que são 32 bits.

Posteriormente, redimensionarei a partição do Windows 7 usando uma ferramenta contida nesse sistema operacional e instalarei o Debian 5.0 versão 64 bits (assim como o Windows, que também é versão 64 bits) e ficarei com os dois sistemas operacionais.

Como eu havia dito, desde o dia 21 eu estou de férias (desde o dia 19, na verdade). Minhas férias (que na verdade, é um recesso de fim de ano) terminarão no dia 11 de Janeiro. Pretendo viajar de volta para São Paulo no dia 10 a fim de levar meu notebook e outras coisas que irei levar para lá. Ainda nessas férias, talvez eu faça um review do Windows 7 Home Premium, ou talvez depois das férias eu faça, caso não dê tempo.

Por hoje é só. Até o ano que vem e um Feliz 2010 para quem estiver lendo este post!

PS: No momento em que escrevo isto, o relógio está marcando 22:43 do dia 31 de Dezembro, é possível que o WordPress marque horário errado no post devido a fuso horário e não sei mais o quê (cada vez que eu posto, a diferença de horário marcada para o horário real do post é diferente e às vezes até calha de marcar o horário certo. Então, caso marque o horário como sendo o primeiro post de 2010 deste blog, é mentira, ele é o último de 2009.

Finalmente consegui a certificação SCJP 6.0!

Posted in Atividades profissionais, História on 05/05/2009 by Allan Taborda

Enfim, no último dia 15 de Abril, fiz a prova a fim de obter a certificação SCJP 6.0 e passei no exame, com um percentual de acertos de 81% (59 questões respondidas corretamente, das 72 questões da prova).

Meu resultado detalhado foi:

Declarações, Inicialização e Escopo: 91%

Controle de Fluxo: 81%

Conteúdo da API: 80%

Concorrência: 87%

Conceitos OO: 70%

Coleções / Genéricos: 80%

Fundamentos: 81%

Tudo começou há um ano atrás, quando o David Muinos, um dos principais desenvolvedores do Perola (uma ferramenta de persistência de dados), me deu a idéia de eu obter a SCJP. Então, eu procurei saber mais acerca dessa certificação e me informei numa página do site da Sun Microsystems o que era a ditacuja e o que caía na prova. Além disso, perguntei a um ex-colega de faculdade, o Roberto Tengan (que havia obtido a SCJP 5.0 há algum tempo atrás), como ele havia procedido a fim de obter a certificação e ele me respondeu por e-mail, com todos os detalhes.

No site da Sun, eu vi que já havia disponível uma nova versão da SCJP, a 6.0, e resolvi que esta seria a melhor escolha, pois era a versão mais atual, ainda que a prova só estava disponível no idioma inglês (ao contrário da versão 5.0, que estava disponível em português).

Na ância de fazer a prova o mais rápido possível, comprei logo o voucher (cupom que dá direito a fazer qualquer certificação de Java da Sun) por R$330,00 ligando no número 0800 55 78 63, daí a atendente dá as instruções de como proceder (basicamente, ela pergunta o e-mail e o resto é feito tudo por e-mail). Depois que chegou o boleto bancário, paguei-o e então me enviaram um e-mail com o número do voucher.

Eu pretendia fazer a prova em poucos meses, mas devido a meu estágio, esforços para conseguir um emprego e principalmente por causa dos meus estudos para esta certificação, a data da prova foi adiada por vários meses, até que o final do prazo se aproximou, faltando apenas dois meses para terminá-lo (depois do prazo, o voucher expira).

Então, eu decidi por marcar a data exata da prova para o dia 15 de Abril e intensifiquei ainda mais meus estudos, lendo a versão em inglês do famigerado livro da Kathy Sierra e do Bert Bates que eu peguei emprestado. Embora eu não fale inglês, eu consigo ler normalmente textos nesse idioma, inclusive entendendo o que está escrito.

Li o livro inteiro em cerca de três semanas. Era para eu ter terminado a leitura em menos tempo, mas aconteceram uns imprevistos que me desvirtuaram dos meus estudos, incluindo a confecção de um software que minha amiga Mara encomendou (que eu tive que parar o desenvolvimento no meio para poder prosseguir com meus estudos, mas depois da certificação eu consegui terminá-lo). Terminei de ler um dia antes da prova.

No dia seguinte, acordei cedo. Isso não significa que eu dormi o suficiente, uma vez que eu demorei muito a pegar no sono (isso sempre ocorre às vésperas de algo importante, como uma entrevista de emprego). Dormi apenas 3 horas.

A prova havia sido marcada para às 13:15, então eu vi que dava tempo de fazer mais um exame simulado (já havia feito dois, obtendo um bom íncice de acertos).

Mas aí minha mãe, que ia me levar de carro até a Tecnoponta (escola profissionalizante que aplica a prova aqui na Baixada Santista), em Santos, ficou me pressionando para eu ir logo, pois não sabia quanto tempo iria demorar para chegar ao local.

A metade das questões daquele simulado eu respondi de qualquer jeito e correndo, e eu acabei tirando uma nota ruim, errando questões fáceis. Tirei 60% de acertos, 5% abaixo do mínimo necessário para a aprovação. Fiquei um pouco preocupado e um pouco mais nervoso.

Engoli o almoço com medo de me atrasar, ainda mais que minha mãe me pressionava cada vez mais para ir mais rápido, pois segundo ela (que conhece o caminho até Santos e teoricamente sabia quanto tempo demorava a ida até aquela cidade), poderia não dar tempo de chegar no horário marcado. Eu e minha mãe saímos de carro às 10:20 e, antes do meio-dia, chegamos.

Entrei no prédio e subi até o sétimo andar, onde ficava a Tecnoponta, que estava em reforma, com uma sala de aula cheia de bugigangas e um pedreiro lixando e pintando o teto. Lá, me informaram que eu havia chegado cedo demais e que eu tinha que esperar até às 13:15. Minha mãe me apressou tanto para eu ter que esperar no espaço reservado aos alunos no intervalo das aulas (se bem que não tinha ninguém além de mim). Fiquei andando e tomando café expresso de uma máquina que tinha no local.

Chegando a hora marcada, procedi como havia sido informado no e-mail que recebi no dia que marquei a prova pela Internet, no site da Prometric (empresa que aplica a prova, sendo a Tecnoponta um local credenciado por esta), mostrando um documento com foto, no caso, meu RG.

Entretanto, a moça me informou que eu precisava também apresentar o CPF, ainda que não falava nada de CPF no e-mail que eu havia recebido. Naquela hora, fiquei bastante preocupado, uma vez que talvez eu não fizesse a prova por não ter apresentado o CPF. Já preparava meu discurso de que ia processar a Prometric e a Tecnoponta por não ter avisado sobre a necessidade de apresenta o CPF e pelo fato do RG ser suficiente para me identificar, quando me liberaram de apresentar o CPF, para meu alívio.

Então, a moça que havia me pedido o CPF (uma moça bonita, mas que estava com uma cara bastante séria, como se eu tivesse cometido um crime inafiançável) pediu para eu segui-la até o local da prova, que ficava em outro andar, em um “lugar secreto”, onde ficava umas salas de aula onde estava tendo aula de algum curso, com umas alunas muito bonitas, como deu para ver pela janela. Basicamente, o local do exame era outra sala de aula, só que um pouco menor.

Chegando lá, ela me falou como eu devia proceder, inclusive disse para eu não sair do local da prova sem o papel impresso com o resultado do exame e que, em caso de emergência, que era para usar um telefone que estava no canto e ligar para o ramal informado.

E então eu comecei a fazer o exame, que foi aplicada em um computador rodando o software da prova certificatória. No início, havia umas perguntas sobre se eu trabalhava para a Sun ou para a Prometric, se eu permitia que meus dados pessoais fossem usados não sei de que forma pela Sun com fins de não sei o quê, etc, perguntas que, segundo a prova, não contava no resultado do exame. Depois, havia um texto que explicava como interpretar as questões (por exemplo, não interpretar a numeração das linhas como parte do código). A partir desse texto, o cronômetro do tempo de prova começou a ser contado. Na minha opinião, deveriam contar a partir da primeira questão, e não a partir desse texto.

A prova poderia ser feita em, no máximo, três horas e meia, bastante tempo. Fiz a prova com calma (apesar de tudo o que aconteceu, inclusive momentos antes do exame), lendo as questões atenciosamente e só depois respondendo.

Eu esperava que a prova fosse mais difícil, mas no fim, a maioria das questões estava bem fácil, algumas com respostas óbvias, principalmente as de competar os espaços em branco. As questões com mais de uma resposta certa informavam o número de respostas certas que tinha que marcar (diferente das provas simuladas, que falavam para responder todas que se aplicam). E a única questão que eu marquei para revisão foi a questão 46, que era uma sobre qual o conteúdo da String após um monte de operações com StringBuilder.

Com 40 minutos sobrando, terminei a prova e confirmei as respostas (após rever a questão 46, gastando vários minutos nela). Daí, o software da prova certificatória tentou imprimir o resultado na impressora. E advinha o que aconteceu? A impressora deu pau!

Peguei o telefone de emergência e liguei para o ramal que estava escrito na folha de rascunho (que eu usei para calcular o resultado da questão 46 e mais a ordem de um array em outra questão sobre ordenação). Minutos depois, chegou aquela moça bonita que me pediu o CPF e eu expliquei o ocorrido. Ela tentou imprimir uma segunda via, mas a impressora continuou a se negar a funcionar.

Daí ela chamou o técnico que cuida dos equipamentos e, vários minutos depois, ele chegou e tentou descobrir o que havia acontecido. Instantes depois, ele descobriu o problema: a impressora estava desligada. Não só isso: o computador no qual a impressora estava conectada também estava desligado.

Depois de ligar os equipamentos, finalmente o resultado do exame foi impresso. E então, eu soube que eu havia sido aprovado (se bem que eu meio que já sabia durante a prova).

E moça falou para eu voltar ao sétimo andar para lá carimbarem o papel impresso. Entrei no elevador e acabei indo para o andar errado, pois havia me esquecido de apertar o botão 7. Fui parar no térreo. Mas depois eu subi de volta e carimbaram o resultado do exame.

Na volta para casa, minha mãe errou o caminho e o carro acabou preso num congestionamento no centro de São Vicente,, após andar em círculos. Mas depois de bastante tempo, finalmente conseguimos chegar em casa.

Durante o tempo que fiquei esperando, fazendo prova e esperando solucionarem o problema da impressora, minha mãe ficou no carro lendo livro e fazendo as unhas.

E essa foi a conturbada história da minha certificação SCJP 6.0 (história essa com final feliz). Futuramente, penso em fazer as certificações SCWCD, SCBCD, SCDJWS, SCEA e SCJD, não necessariamente nessa ordem, e ainda não escolhi qual eu vou fazer primeiro, mas muito provavelmente irei fazer a SCEA por último.

Por hoje é só! Até o próximo post, que provavelmente deve ser menor do que este!

Meu PC e seus 5 anos de uso

Posted in História on 11/04/2009 by Allan Taborda

Irei fazer a prova a fim de obter a certificação SCJP 6.0 agora no dia 15. Nesses últimos dias, estou estudando bastante, já que tenho que saber tudo o que falta para fazer a prova. Nessa reta final dos meus estudos, meu tempo livre diminuiu consideravelmente (e o tempo para postar aqui também). Mas hoje, eu estou aqui de volta e irei falar sobre meu PC, que tem 5 anos de uso e não pretendo substituí-lo tão cedo. Falarei também dos sistemas operacionais que foram instalados nele durante esses 5 anos.

O meu PC foi montado em Janeiro de 2004. É um PC com placa-mãe P4S8X-X, processador Pentium 4, 768 MB de memória RAM DDR1 e placa de vídeo nVidia GeForce 4 MX com 64 MB de memória de vídeo. Tem também uma placa Fax Modem Intel 537 chipset TigerJet (sem uso já há bastante tempo, pois me conecto por banda larga), dois HDs, um de 40 GB da Samsumg e outro de 200 GB da Hitachi, um drive gravador de CD e outro drive que grava CD e DVD.

O HD de 200 GB, um pente de memória de 512 MB e o drive de DVD foram adicionados posteriormente, após o PC ser adquirido. O gravador de CD e a placa de vídeo também, mas essas duas peças foram adquiridas para substituir peças idênticas que pifaram (e o gravador de CD existia antes do meu PC ser montado, foi retirado de outro PC). Além disso, a fonte também não é original do PC, mas é melhor do que a fonte que pifou recentemente e que veio originalmente (uma fonte xing-ling que veio com o gabinete).

O meu PC veio originalmente com um Windows XP instalado pelo técnico numa partição de 12 GB (o resto veio sem particionar a meu pedido, eu pretendia instalar o Corel Linux que veio numa revista, na época, eu apenas tinha ouvido falar do Linux e queria ver como era).

Após uma tentativa frustrada de instalar o Corel Linux, descobri o Kurumin e baixei a última versão na época, a 2.13, que foi meu primeiro Linux. O som não funcionava (tinha que ativar os drivers ALSA manualmente), o mouse travava (quando eu rodava pelo CD), o driver do modem fazia o sistema travar, mas eu usava o Kurumin mesmo assim, sem ligar para os problemas, pois, já que o Windows tem seus problemas, o Linux também poderia ter os seus.

Naquela época, eu usava o Windows como sistema principal e o Kurumin como sistema secundário, sendo usado de vez em quando (as travadas devido ao driver do modem me desestimulavam de usar o Kurumin mais vezes). Posteriormente, eu instalei a versão 3.0 e mais tarde a 3.31, ambas com melhorias, mas ainda possuíam o driver travador de sistema. Com a versão 4.0, o problema foi sanado, pois havia uma nova versão do driver que não travava o sistema. Mas, como eu já estava um pouco acomodado com o Windows XP, ainda não migrei de vez para o Linux, usando esporadicamente o sistema.

Mas em 2006, já bastante insatisfeito com o Windows, principalmente por causa dos vírus (o Sasser, inclusive), resolvi migrar de vez para o Linux, ainda usando o Kurumin 4.0, ainda que já existisse o 5.0, mas quando saiu o 6.0, migrei para esta versão. Depois que eu comprei o HD novo e mudei quase completamente o esquema de particionamento, instalei o Kurumin 6.1. Posteriormente, instalei a versão 7.0.

Paralelamente ao Kurumin, em épocas diferentes, cheguei a instalar em outras partições que estavam sobrando o Conectiva 10, o Slackware 10.2 e o Debian 3.1, todos eles usados esporadicamente, foram instalados mais com fins de testes.

O Conectiva quase se tornou meu sistema padrão, se não fosse por uma quebra de dependência nos pacotes logo na primeira vez que eu fui atualizar sistema pelo Synaptic, além de, nessa mesma atualização, o ambiente gráfico passou a não mais funcionar. Com preguiça de resolver o problema, desinstalei o bicho.

O Slackware 10.2 foi instalado numa época que já havia a versão 11.0, mas como eu já tinha os CDs daquela versão, instalei ela mesma, mais para testar. Instalei com o XFCE (até então, eu usava apenas o KDE, embora eu tivesse usado uma vez ou outra o Fluxbox, o Afterstep e o Gnome 2.4 (ou 2.6, não me lembro ao certo) para ver como era. O Slackware salvou a minha pele quando o filesystem onde estava instalado o Kurumin deu erro, impedindo a inicialização do sistema. Na inicialização do Slackware, este detectou os erros na partição e os corrigiu. Por ter um sistema de gerenciamento de pacotes precário, não o usei muito.

O Debian 3.1 eu instalei com a intenção de substituir o Kurumin, mas acabou não valendo muito a pena usá-lo no lugar do sistema que eu usava, entretanto, eu acabei conhecendo como era o programa de instalação desta distribuição. Com o lançamento do Debian 4.0, eu o instalei, mas depois, eu decidi que seria melhor manter o Kurumin 7.0, ainda mais que este, após instalado no HD, é basicamente o Debian 4.0 e ter dois Debian 4.0 não teria muita utilidade. Com o passar do tempo, O Kurumin foi ficando cada vez mais sem as personalizações dessa distro (eu fazia minhas próprias personalizações) e ele acabou virando o Debian normal. Quando alguém me perguntava que distribuição eu usava, eu falava: eu uso o Debian 4.0. Apesar de eu ter instalado com o CD do Kurumin 7, aquilo já não era mais Kurumin, mas continuava sendo Debian, com seus pacotes do repositório stable (Etch). Este sistema foi usado até duas semanas atrás, quando passei a usar o Debian 5.0.

Hoje, uso a versão 5.0 do Debian, entretanto, ainda mantenho a versão 4.0 em outra partição em caso de algum problema no novo sistema ou no caso de eu ter que usar algum dos programas que eu pouco uso e que decidi não instalar no Debian Lenny.

Sempre usei o KDE 3.x, mas agora, com o Debian 5.0, passei a usar o GNOME 2.22.3 e estou gostando muito. Este será meu sistema operacional padrão durante um bom tempo.

A instalação do Windows existe até hoje, mas é muito pouco usada e o sistema está bastante lento devido à instalação e remoção de vários programas. Já pensei em reinstalar o XP, mas como eu pouco uso ele e não tenho saco para fazer isso, estou enrolando até agora para reinstalá-lo.

Tenho instalado também o Windows 98 para rodar uns poucos programas Windows que não rodam no XP (três no total) e também para matar a saudade do antigo sistema que eu usava no meu primeiro PC (a história deste ficará para outro post).

Planejei instalar o FreeBSD e o OpenSolaris no meu PC, inclusive criei partições para estes sistemas, mas desisti por preguiça. Hoje em dia, costumo testar novos sistemas por máquina virtual, no VMWare (até o Debian 4.0) e agora no VirtualBox (a partir do Debian 5.0), embora eu não tenha criado nenhuma máquina virtual com este último.

Meu PC já deixou de funcionar quatro vezes, duas por causa de mau contato na nos pentes de memória, uma por causa que a placa de vídeo pifou e outra porque a fonte pifou. Meu monitor, que também tem 5 anos de vida e é o mesmo desde que comprei este PC, já foi para o conserto uma vez, após completar 4 anos de vida. Mouse e teclado já foram substituídos algumas vezes, principalmente mouses (teve uma época que eu usei o sistema sem mouse, apenas com o mouse virtual). As caixas de som são as mesmas, mas estão com problema, entretanto, como eu só uso fone de ouvido, não tem problema das caixas de som estarem com problema.

Apesar do meu PC já ter 5 anos de uso, ele ainda faz tudo o que eu preciso e roda meus programas com uma boa performance. E rodará meus programas por um bom tempo, até quando não der mais e eu tiver que trocar de PC.

Por hoje é só. Em um post futuro, eu contarei a minha história na informática, desde meu primeiro PC até os dias de hoje. Agora, com licença, que eu preciso estudar para obter a certificação SCJP 6.0.